
Após uma semana de férias, iniciamos a 4ª temporada da nossa coluna Política e Cotidiano aqui no ClicRDC com a colaboração do professor e ex-militar do Exército Venezuelano, Alexander Aragol, que mantém nosso compromisso com a cobertura e a opinião local sobre a situação dos nossos vizinhos ao norte. De uma perspectiva social, ser chavista não é simplesmente uma posição política; é uma forma de encarar a vida. Para Alexander, é aí que o verdadeiro problema começa.
Conforme Aragol, durante anos, o chavismo cultivou a narrativa perigosa de que o sucesso alheio é uma afronta pessoal: “Para muitos de seus seguidores, ver outros progredirem, estudarem, emigrarem, se reinventarem ou simplesmente viverem melhor graças aos seus próprios esforços é insuportável. Não porque seja injusto, mas porque expõe a verdade incômoda de que sim, é possível, mas exige trabalho, disciplina e perseverança. Três coisas que o discurso chavista aprendeu a desprezar”.
Alexander opina que, em vez de assumir a responsabilidade individual, a inveja é escolhida como refúgio emocional: “Aqueles que prosperam ‘devem ter roubado’, ‘devem ter traído’, ‘devem ter se vendido’. Nunca foi mérito, nunca sacrifício. Assim, a própria estagnação é justificada culpando os outros, aqueles que progrediram, aqueles que não ficaram apenas sentados esperando”.
O chavismo, na visão de Aragol, também normalizou a ideia de que algumas pessoas “merecem tudo” simplesmente por existirem, por serem membros do partido, por repetirem slogans, sem precisar fazer nenhum esforço: “Sob esse princípio distorcido, o trabalho deixa de ser uma virtude e o sacrifício se torna suspeito. Aqueles que se esforçam são vistos como ingênuos; aqueles que exigem resultados sem trabalhar são vistos como ‘conscienciosos’”.
Essa mentalidade, inevitavelmente, produz muita frustração: “Viver esperando que os outros o sustentem, que o Estado resolva seus problemas, que alguém assuma suas responsabilidades, sempre acaba em choque com a realidade. E quando a realidade bate à porta, a reação não é introspecção, mas ressentimento. É por isso que o chavismo não tolera o progresso alheio”, afirma Alexander.
Aragol conclui que cada história de superação de adversidades é um espelho no qual o chavismo se recusa a se olhar: “Uma lembrança do que poderiam ter sido, mas não foram. Do que escolheram não fazer. O que eles escolheram exigir em vez de construir, isso do meu ponto de vista, é precisamente o que exigirá o grande esforço de mudar essa visão retrógrada, regressiva e claramente improdutiva neste processo de transição na Venezuela. Toda essa situação não é uma luta de classes. É uma luta interna. E enquanto essa cultura de dependência, inveja e ódio ao mérito persistir, eles continuarão prisioneiros da própria frustração”.
Recadinhos
- Bastidores da abertura da ExpoFemi, ocorrida sábado (28), em Xanxerê: o prefeito de Concórdia, Edilson Massocco (PL), não foi chamado à frente de honra e reclamou muito.
- A deputada federal chapecoense e pré-candidata ao Senado, Caroline de Toni (PL), teve que ouvir Massocco dizer que se sentia “humilhado”. Há interesse do prefeito de Concórdia em renunciar ao cargo para concorrer a deputado estadual.
- O governador Jorginho Mello (PL) deixou claro em Xanxerê que está irritado com a decisão da Prefeitura de Chapecó de romper o contrato de concessão do serviço de água e esgoto com a Casan.
- A justificativa usada para defender a estatal foi o seu lucro, de cerca de R$ 600 milhões, suficiente para cobrir o prejuízo causado pelas obras da macroadutora do rio Chapecozinho, por exemplo.







