
O presidente do Conselho de Segurança de Chapecó e professor de Pós-Graduação em Segurança Pública, Márcio Bueno, está colaborando em três edições da coluna nesta semana, abordando a possibilidade real do aumento expansivo do narcotráfico no Brasil, com visão analítica sobre o assunto, perante recentes posicionamentos do governo brasileiro. Nesta última edição, vamos falar das consequências destes posicionamentos.
A ascensão da hegemonia de direita alinhada a Donald Trump na América Latina, combinada com o desalinhamento do Brasil dessa estratégia, cria exatamente as condições que o PCC necessita para sua expansão exponencial, na opinião de Márcio: “Se a Colômbia eleger um presidente de direita alinhado a Trump, o combate ao narcotráfico será intensificado nas rotas tradicionais do norte, redirecionando toda a cocaína colombiana e peruana para o Brasil”.
O PCC, operando como uma indústria descentralizada e sem alinhamento estratégico contra ele, consolidará seu domínio absoluto sobre essas rotas, conforme Bueno: “O Brasil não é apenas um país em risco. É o epicentro inevitável da hegemonia do narcotráfico nas Américas. Isolado diplomaticamente, desalinhado das estratégias de segurança regional, e com um crime organizado que já movimenta R$ 348 bilhões anualmente, o Brasil se torna o corredor perfeito para o PCC expandir sua indústria criminal globalmente”.
De acordo com Márcio, enquanto governos de direita em toda a região combatem cartéis mexicanos e venezuelanos, o Brasil permanece como um vazio institucional onde o PCC consolida sua hegemonia sem precedentes: “O futuro do narcotráfico nas Américas não será decidido no México ou na Venezuela, será decidido no Brasil, onde a ausência de alinhamento geopolítico transforma a maior nação da América do Sul no epicentro da maior crise de segurança do continente”.
É hora de ter humildade, Lula!
Conforme a colunista Mariana Sanches, do UOL, os Estados Unidos devem anunciar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas nos próximos dias. A reportagem apurou ainda que o chanceler brasileiro Mauro Vieira soube do avanço do tema em Washington, e tem tentando conversar com sua contraparte, o secretário de Estado Marco Rubio, desde o último sábado (7). Aqui, pergunto: conversar o quê? Não é hora de reconhecer o erro e perceber qual é o verdadeiro terrorismo que muitos brasileiros vivem?
Quando o Brasil vê que (com óbvios interesses, é claro) tem condições de combater o narcotráfico com ajuda internacional, e não apenas dos Estados Unidos, seu governo deveria ter a coragem de agarrar essa oportunidade com as duas mãos e arcar com as consequências, mesmo que elas sejam eleitorais. Fica mais bonito perder uma eleição trabalhando do que perder se negando a reconhecer que, sozinho, não consegue fazer o seu país ter um pouco mais de ordem e progresso.
Recadinhos
- Os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia, incluindo Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Japão, concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência.
- A Agência é composta por um grupo de nações que estabelece regras e coordena a quantidade de petróleo bruto que os membros devem manter em suas reservas. A ideia é proteger a economia desses países quando houver turbulência no mercado.
- Conforme a newsletter The News, essa foi a maior liberação feita pela agência na história, com 182,7 milhões de barris liberados após o início da Guerra da Ucrânia.
- Com o fechamento do estreito de Ormuz devido à guerra, o preço do petróleo subiu e permanece volátil, afetando a economia dos países. Em Chapecó, a maioria dos postos de combustível já vende o diesel acima de R$ 7 o litro.







