
Há algo profundamente cínico na tentativa de Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela, de se apresentar hoje como uma suposta colaboradora em uma transição que ela e seu círculo íntimo vêm bloqueando, sabotando e criminalizando há anos. Isso é o que afirma o engenheiro de sistemas e ex-integrante do Exército venezuelano, morador de Chapecó, Alexander Aragol, em mais uma colaboração para a nossa coluna.
Alexander afirma que Delcy finge ser aberta, engajada no diálogo e possuir boa vontade, quando na realidade tudo o que faz é se apropriar retoricamente de ações que não são suas — decisões ordenadas e pressionadas diretamente pelos Estados Unidos — apresentando-as como conquistas de um regime que nunca soube governar sem coerção, mentiras e repressão.
Para Aragol, é ainda mais ultrajante ouvir aqueles que questionam cada ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, arrancando os cabelos em nome de uma suposta moralidade política, enquanto aplaudem, justificam ou minimizam as ações de um ditador como Nicolás Maduro, diretamente responsável por vidas humanas perdidas, tortura, desaparecimentos, perseguição política e milhares de pessoas presas por pensarem diferente.
Na opinião de Aragol, este duplo padrão não é ideologia, é pura inconsistência: “O mais paradoxal é que muitos desses defensores do desastre vivem em extrema pobreza, presos a uma miséria imposta pelo próprio regime, e ainda assim se recusam a reconhecer uma verdade incômoda: em um curto período de tempo, melhorias concretas foram observadas, melhorias essas que jamais foram vistas em 26 anos de chavismo-madurismo. Nem durante um boom do petróleo, nem com dinheiro público, nem com propaganda incessante”.
Entretanto, Alexander ressalta que isso não faz de ninguém um salvador, e não significa que tudo está resolvido: “Negar a realidade por fanatismo só prolonga o sofrimento e adia qualquer possibilidade de mudança real. A coerência não deveria ser um luxo ideológico. Deveria ser o mínimo ético. Não se pode condenar alguns e absolver outros por conveniência”.
Aragol conclui afirmando que não se pode falar de direitos humanos com a boca cheia de slogans enquanto se justifica a tortura: “Não se pode clamar por dignidade enquanto se vive de joelhos diante de uma narrativa que já fracassou. Como mencionei em outra publicação, a história não absolve os cúmplices. E o tempo, como sempre, acaba colocando cada um exatamente onde merece estar”.
Recadinhos
- Depois de idas e vindas sobre uma visita a Jair Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi à Papudinha se encontrar com o ex-presidente ontem.
- Na saída, conforme a newsletter The News, Tarcísio deixou claro que não deve concorrer ao Planalto em outubro. Segundo ele, seu plano é se reeleger e ajudar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência.
- Na prática, Tarcísio é peça-chave para a decisão de quem será o próximo presidente da República, tendo impacto para Flávio Bolsonaro, Lula e até para o Centrão.
- Para Flávio, contar com Tarcísio é fundamental. Além de muito bem avaliado em São Paulo, o governador tem um perfil mais moderado, capaz de dialogar com empresários e parte do eleitorado de centro, o que pode ser decisivo no 2° turno.







