
Uma investigação conjunta das polícias do Brasil e da Itália apura um esquema milionário de tráfico internacional de drogas ligado à ‘Ndrangheta, uma das principais organizações mafiosas italianas. Entre os suspeitos de assumir o comando das operações no Brasil estão a influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso, presos durante uma operação policial.
De acordo com a Polícia Federal, Paula teria passado a atuar nos negócios da organização após a prisão do marido, Patrick Assisi, em 2019. Ele e o pai, Nicola Assisi, apontados como integrantes da máfia, foram localizados em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Como a influenciadora teria assumido os negócios da máfia italiana?
Segundo os investigadores, Paula Simões teria assumido parte das operações criminosas após a prisão do marido e do sogro. A atuação dela chamou a atenção da polícia porque, tradicionalmente, as mulheres ocupam posições menos destacadas na estrutura da ‘Ndrangheta.
O delegado Eduardo Verza afirmou que o caso apresenta uma situação incomum dentro da organização. A investigação aponta que Paula teria contado com o auxílio do advogado Patrick Cardoso, que representava os mafiosos presos e supostamente fazia a intermediação entre eles e integrantes que continuavam em liberdade.
Como funcionava o esquema de tráfico internacional de cocaína?
Conforme a Polícia Federal, o grupo utilizava a estrutura logística do Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar grandes carregamentos de cocaína à Europa. A droga era escondida em contêineres, enquanto doleiros seriam responsáveis por movimentar os recursos financeiros provenientes do tráfico.
Mesmo após as prisões de Nicola e Patrick Assisi, em 2019, as operações teriam continuado. Para os investigadores, o advogado Patrick Cardoso utilizava o contato reservado com os clientes presos para transmitir orientações relacionadas aos negócios ilícitos.
A polícia também encontrou fotografias de bilhetes produzidos dentro da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Nas mensagens, os integrantes da organização teriam transmitido ordens sobre cobranças de dívidas e recuperação de dinheiro e bens.
O que as mensagens revelaram sobre a atuação de Paula Simões?
Segundo a investigação, quando Paula e o advogado passaram a atuar à frente das operações, o grupo mantinha mais de duas toneladas de cocaína em estoque.
Conversas obtidas pelos investigadores indicariam que Paula negociou o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa. As mensagens, trocadas em italiano por um aplicativo de comunicação, tratavam de preço, qualidade da droga e transporte até o Porto de Paranaguá.
Em um dos diálogos, os participantes discutem o valor da carga e o custo do transporte. Para a polícia, o conteúdo reforça a suspeita de que Paula e outros investigados representavam os interesses da família Assisi fora da prisão.
O que dizem as defesas dos investigados?
A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da profissão ao longo de seus 25 anos de carreira. Também informou que apresentou um pedido para revogar a prisão preventiva.
Já a defesa de Paula Simões declarou que ela nega todas as acusações e ressaltou que nenhuma droga foi apreendida com a investigada. Segundo os advogados, a continuidade das atividades criminosas após as prisões dos integrantes da família Assisi é uma interpretação da autoridade policial, e não um fato comprovado.
As suspeitas seguem sob investigação. A responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e da análise das provas pelas autoridades competentes.






