
⚡ Em Resumo:
- O que é: Mulher de 62 anos foi resgatada em situação análoga à escravidão após trabalhar por mais de cinco décadas para a mesma família sem salário.
- Números/Dados: Foram 55 anos de trabalho, créditos trabalhistas superiores a R$ 1,5 milhão, R$ 50 mil em verbas rescisórias e um imóvel de, no mínimo, R$ 150 mil previsto em TAC.
- Onde: Residencial 2, em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE).
- Quem afeta: A trabalhadora resgatada, os empregadores, o Ministério Público do Trabalho e os órgãos de fiscalização.
Uma mulher de 62 anos foi resgatada em situação análoga à escravidão após trabalhar por cerca de 55 anos para a mesma família em um condomínio de luxo localizado em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A operação foi realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em junho deste ano e divulgada na última semana.
Segundo a fiscalização, a trabalhadora iniciou as atividades quando tinha apenas sete anos de idade e nunca recebeu salário mensal de forma regular. Os créditos trabalhistas devidos ultrapassam R$ 1,5 milhão.
Como era a rotina da trabalhadora?
De acordo com a investigação, a rotina começava por volta das 4h30 da manhã.
Ela preparava o café da família, organizava a saída das crianças para a escola e, ao longo do dia, realizava limpeza da casa, preparo das refeições, organização dos ambientes e cuidados com os menores.
Mesmo sendo hipertensa e apresentando episódios frequentes de mal-estar, continuava desempenhando todas as atividades normalmente.
O que a investigação apontou?
Após denúncia anônima, a Auditoria-Fiscal do Trabalho concluiu que a mulher viveu durante décadas sem remuneração regular, sem autonomia financeira e sem acesso à educação, permanecendo vinculada à mesma família desde a infância.
Segundo os auditores, ela chegou à residência dos empregadores em 1971 e atravessou três gerações da mesma família, sempre exercendo atividades domésticas.
Durante a fiscalização, a empregadora afirmou que a menina havia sido “dada” pela própria mãe à família.
Como a trabalhadora viveu ao longo dos anos?
Conforme a investigação, enquanto os filhos da família frequentavam a escola, a trabalhadora e a irmã não tiveram acesso à educação formal.
Após o falecimento da mãe, ela permaneceu com os empregadores e acompanhou todas as mudanças da família. Em 1982, passou a morar com a filha da antiga patroa, onde cuidou da casa e dos três filhos do casal.
Mais de 30 anos depois, foi novamente levada para outra residência da mesma família, onde passou a cuidar da geração seguinte, acumulando os serviços domésticos e o cuidado diário das crianças.
O que chamou a atenção dos fiscais?
Os auditores identificaram que a mulher estava inscrita no Cadastro Único e recebia R$ 600 mensais do Programa Bolsa Família.
Segundo a investigação, a própria empregadora realizava os saques do benefício e depois entregava os valores à trabalhadora.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho também apontou indícios de possível fraude contra o Estado, já que a beneficiária foi cadastrada como pessoa desempregada e vivendo sozinha. O caso será encaminhado às autoridades competentes para apuração.
Quais medidas foram adotadas após o resgate?
Os empregadores firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho.
Entre as obrigações assumidas estão a regularização das contribuições previdenciárias referentes ao vínculo reconhecido, o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias, divididos em dez parcelas de R$ 5 mil, e a compra de um imóvel residencial para a trabalhadora no valor mínimo de R$ 150 mil, além do fornecimento de móveis e eletrodomésticos.
O acordo também prevê o custeio das contribuições previdenciárias até que ela obtenha a aposentadoria.
Como está a situação da trabalhadora atualmente?
Segundo apuração do g1, a mulher permanece na residência dos empregadores, mas recebe acompanhamento psicossocial para facilitar sua adaptação à vida fora do ambiente em que viveu desde a infância.
A identidade dos empregadores não foi divulgada pelas autoridades. O vínculo de emprego reconhecido no TAC considera o período iniciado em julho de 2014, quando a trabalhadora passou a atuar na última residência da família, embora a investigação aponte que a relação de trabalho tenha começado ainda em 1971.
Fonte: G1







