
Uma mulher de 37 anos foi presa na última terça-feira (2), em Santa Catarina, suspeita de fingir ter 12 anos para viver por 14 meses como filha adotiva de uma família. À Polícia Civil, Amanda Maria confessou o crime. O caso chamou atenção pela semelhança com a história de Natalia Grace, órfã ucraniana adotada por um casal americano e posteriormente acusada por eles de ser uma adulta que se passava por criança.
Segundo a investigação, a mulher conseguiu se inserir no convívio familiar ao sustentar a identidade falsa de adolescente. A polícia apura as circunstâncias do caso e possíveis responsabilidades.
A repercussão reacendeu o debate em torno da história de Natalia Grace, que ganhou notoriedade internacional e foi retratada na série Uma Família Perfeita, do Disney+, e no documentário The Curious Case of Natalia Grace, do Max.
Natalia nasceu na Ucrânia e chegou aos Estados Unidos em 2008. Diagnosticada com displasia espondiloepifisária congênita, um tipo de nanismo, foi adotada em 2010 pelo casal Kristine e Michael Barnett, quando tinha seis anos.
Dois anos depois, os pais adotivos passaram a questionar a idade da menina. Em 2012, pediram à Justiça de Indiana a alteração da data de nascimento de 2003 para 1989. O tribunal aceitou o pedido, e Natalia passou oficialmente a ter 22 anos, em vez de oito.
Após a mudança, o casal alugou um apartamento para que ela morasse sozinha e se mudou para o Canadá com os filhos biológicos. Os Barnett alegaram que Natalia apresentava comportamento perigoso e que teria tentado prejudicar a família. A jovem sempre negou as acusações.
Em 2019, promotores de Indiana acusaram Kristine e Michael de negligência contra pessoa dependente. Michael foi considerado inocente em outubro de 2022. As acusações contra Kristine foram arquivadas em março de 2023.
No mesmo ano, um exame de sangue confirmou a idade biológica de Natalia, comprovando que ela tinha 22 anos — e não mais de 30, como constava após a alteração judicial. Em entrevistas, Natalia afirmou que buscava reconstruir a vida, estudar para obter o diploma de equivalência ao ensino médio (GED) e aprender a dirigir.
“Em toda mentira existe uma verdade escondida, mas é preciso cavar o suficiente para encontrá-la”, declarou Natalia na série documental.
O caso brasileiro, assim como o episódio envolvendo Natalia Grace, levanta questionamentos sobre processos de adoção, checagem de identidade e vulnerabilidade de famílias e crianças.





