
O Partido Republicano pode perder a maioria na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos e também enfrenta risco de derrota no Senado nas eleições de meio de mandato. Pesquisas apontam insatisfação dos eleitores com o governo de Donald Trump, especialmente em relação ao custo de vida, às tarifas comerciais, à guerra contra o Irã, à política de imigração e a suspeitas de corrupção.
Historicamente, o partido do presidente costuma perder espaço nas eleições realizadas no meio do mandato. No entanto, a avaliação apresentada no texto aponta que as decisões de Trump também contribuíram para o desgaste dos republicanos e para a abertura de espaço aos democratas.
No Senado, 35 das 100 cadeiras estarão em disputa. Atualmente, 22 são ocupadas por republicanos e 13 por democratas. Mesmo com uma vantagem inicial para os republicanos, pesquisas indicam que os democratas ganharam competitividade em estados tradicionalmente republicanos, como Kansas e Texas.
A maioria atual no Senado é de 53 republicanos contra 47 democratas. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras, considerando o voto de desempate do vice-presidente J.D. Vance. Uma maioria simples permite influenciar decisões sobre recursos para o funcionamento do governo e a aprovação de nomeações para cargos públicos e para a Suprema Corte.
Na Câmara dos Deputados, a disputa também é apertada. A composição atual é de 218 republicanos, 214 democratas e um independente. Assim, a oposição precisa conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria.
A Câmara costuma refletir de maneira mais imediata as mudanças no humor do eleitorado, já que seus integrantes são eleitos por distritos. No Senado, a representação estadual tende a manter maior estabilidade partidária.
Custo de vida e tarifas comerciais pesam na avaliação
O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores. As pesquisas citadas indicam que parte da população passou a confiar mais nos democratas do que nos republicanos para conduzir a economia, uma mudança significativa para um partido que tradicionalmente tem a política econômica como um de seus principais argumentos eleitorais.
As tarifas comerciais adotadas por Trump também são apontadas como um fator de pressão. A cobrança sobre produtos importados elevou custos de bens e insumos utilizados pela indústria e pela agricultura dos Estados Unidos.
No setor agrícola, o aumento dos preços de implementos e outros materiais afetou produtores do Meio-Oeste, região em que os republicanos costumam ter forte apoio. A reação da China às medidas comerciais também prejudicou as exportações agrícolas norte-americanas.
A disputa comercial com o Canadá, por sua vez, trouxe impactos para setores industriais integrados entre os dois países, como o automobilístico. O estado de Michigan, que faz fronteira com a província canadense de Ontário, está entre as regiões que podem sentir os efeitos dessas tensões.
Guerra contra o Irã e política migratória ampliam desgaste
O ataque ao Irã também aparece entre os fatores de insatisfação. A ofensiva contraria uma promessa eleitoral de Trump de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em novas guerras e contribuiu para elevar os preços de combustíveis e fertilizantes, pressionando consumidores e produtores rurais.
Na área migratória, a política de expulsões em massa reduziu a disponibilidade de trabalhadores em setores como agricultura e serviços. A menor oferta de mão de obra pode elevar custos e também afastar eleitores latinos, grupo que tem influência nas disputas eleitorais.
Outro ponto citado nas pesquisas é a preocupação de parte dos eleitores independentes com possíveis conflitos de interesse e aumento da corrupção no governo. Entre os questionamentos estão medidas regulatórias que beneficiariam criptomoedas ligadas a empresas de Trump e negócios privados com monarquias do Golfo Pérsico.
Disputa pelo Congresso pode mudar os rumos do governo
Uma eventual perda de maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso reduziria a capacidade de Trump de aprovar propostas e avançar com sua agenda. Os democratas também poderiam ampliar o poder de fiscalização sobre o Executivo e dificultar a aprovação de indicações e medidas do governo.
As pesquisas, porém, indicam tendências e não resultados definitivos. A composição do Congresso dependerá dos votos nas eleições de meio de mandato, e as disputas em estados e distritos específicos serão determinantes para definir o equilíbrio de forças em Washington.





