segunda-feira, fevereiro 2, 2026
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Peptídeos: moda passageira ou nova fronteira da saúde?

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

Nos últimos anos, os peptídeos passaram a frequentar conversas que antes se restringiam aos laboratórios de pesquisa. Estão em suplementos alimentares, tratamentos estéticos, protocolos médicos e até em discursos que prometem mais longevidade, mais desempenho e menos envelhecimento. Como toda tendência que ganha visibilidade rápida, surge a pergunta inevitável: estamos diante de uma revolução científica consistente ou apenas de mais um ciclo de exageros do mercado da saúde?

Peptídeos são, em essência, pequenas cadeias de aminoácidos. Isso pode parecer trivial, mas não é. O organismo humano funciona, em grande medida, por sinais químicos precisos. Muitos desses sinais são peptídeos. Hormônios, mensageiros do sistema nervoso, reguladores do sistema imune e mediadores da inflamação pertencem a esse grupo. Não se trata, portanto, de algo externo ou artificial: peptídeos fazem parte da linguagem básica do corpo.

O interesse crescente ocorre porque a ciência passou a entender melhor como esses compostos atuam de forma específica. Diferentemente de abordagens genéricas, peptídeos podem “conversar” com receptores bem definidos, ativando ou modulando processos fisiológicos com maior precisão. Isso abre possibilidades relevantes no tratamento de doenças metabólicas, inflamatórias, degenerativas e até no suporte à recuperação tecidual.

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O problema começa quando essa complexidade científica é traduzida em promessas simplificadas. No discurso comercial, peptídeos aparecem como solução rápida para envelhecimento, emagrecimento, ganho de massa muscular ou melhora cognitiva. A fronteira entre evidência científica e marketing agressivo torna-se difusa. Nem todo peptídeo disponível no mercado tem comprovação clínica robusta, e nem todo efeito observado em laboratório se confirma em larga escala na população.

Há também um risco menos visível: a medicalização excessiva da vida cotidiana. Ao transformar processos naturais — como envelhecer, sentir cansaço ou ter oscilações metabólicas — em “problemas” que supostamente exigem intervenção química constante, cria-se dependência de soluções externas e expectativas irreais sobre controle absoluto do corpo.

Isso não significa descartar os peptídeos como moda vazia. Pelo contrário. Eles representam um avanço relevante no entendimento da regulação biológica e têm aplicações consolidadas na medicina. O ponto central é discernimento. Ciência séria exige método, testes controlados, avaliação de riscos e benefícios, além de acompanhamento profissional. Saúde não combina com atalhos.

Peptídeos não são milagres nem vilões. São ferramentas. Como toda ferramenta poderosa, podem gerar benefícios expressivos quando bem utilizadas e problemas quando tratadas como panaceia. O debate público precisa sair do entusiasmo acrítico e avançar para uma discussão madura, baseada em evidência, responsabilidade e ética. Nesse campo, mais do que promessas, o que realmente importa é rigor científico e bom senso.

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