sexta-feira, março 13, 2026
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Os seis movimentos que podem decidir a eleição de 2026

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

A política brasileira raramente é simples. Quando duas forças dominam o tabuleiro, como ocorre hoje com o campo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo ligado ao bolsonarismo, a eleição deixa de ser apenas disputa de discursos e passa a ser um jogo estratégico. Nesse tipo de cenário, pequenas mudanças de percepção podem deslocar milhões de votos.

Se a eleição presidencial de 2026 caminhar para uma disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, o resultado não dependerá apenas de pesquisas momentâneas. Ele dependerá de movimentos políticos que alteram a percepção de risco e de esperança do eleitor. Observando o cenário atual, seis movimentos estratégicos tendem a definir o rumo da disputa.

O primeiro movimento é a unificação da direita. Nenhum candidato de oposição vence uma eleição presidencial no Brasil com o campo político fragmentado. Se governadores, partidos e lideranças conservadoras entrarem em disputa interna, o resultado tende a favorecer o candidato que já ocupa o governo. Para Flávio Bolsonaro, portanto, o primeiro desafio não é vencer Lula, mas transformar-se no ponto de convergência da direita. Sem coordenação política, o campo oposicionista perde eficiência e dilui votos.

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O segundo movimento envolve a economia percebida pelo eleitor comum. Em eleições presidenciais, números técnicos importam menos do que a sensação concreta no bolso das famílias. Preço dos alimentos, custo da energia, valor do combustível e facilidade de crédito moldam a opinião do eleitor mais do que indicadores complexos. Se o brasileiro sentir melhora real de renda e estabilidade econômica até a campanha eleitoral, o governo tende a se fortalecer. Se o custo de vida continuar pressionado e a sensação de dificuldade persistir, o ambiente favorece a oposição.

O terceiro movimento é a expansão para o eleitor de centro. Toda eleição brasileira é decidida por um grupo de eleitores menos ideológicos, que não se identifica plenamente com nenhum dos dois polos. Esse eleitor costuma buscar estabilidade e previsibilidade. Para Flávio Bolsonaro, conquistar esse público exigiria reduzir a percepção de risco associada ao bolsonarismo e apresentar um discurso mais voltado à governabilidade. Sem essa expansão, a base fiel dificilmente alcança maioria eleitoral.

O quarto movimento está ligado à transferência política de Jair Bolsonaro. Mesmo fora da disputa direta, o ex-presidente continua sendo uma das figuras mais influentes da política nacional. Seu apoio tem capacidade de mobilizar militância, engajar redes sociais e consolidar um eleitorado fiel. Para Flávio Bolsonaro, a questão central é transformar esse capital político em energia eleitoral sem ampliar rejeições fora da base. Trata-se de um equilíbrio delicado entre herdar força e evitar desgaste.

O quinto movimento envolve a pauta dominante da campanha. Campanhas eleitorais são disputas sobre qual problema nacional parece mais urgente. Se o debate público girar em torno de renda, programas sociais e estabilidade institucional, Lula tende a disputar em terreno favorável. Se a agenda nacional for dominada por temas como segurança pública, corrupção ou sensação de desordem política, o discurso oposicionista tende a ganhar tração. A eleição muitas vezes não é decidida apenas por quem fala melhor, mas por qual tema domina a conversa nacional.

O sexto movimento diz respeito a eventos inesperados que alteram o ambiente político. A história eleitoral brasileira mostra que escândalos, crises econômicas, decisões judiciais ou episódios de grande repercussão podem mudar o humor do eleitor em poucas semanas. Quando a disputa está equilibrada, um único fato relevante pode redefinir a percepção de liderança e competência dos candidatos.

No fundo, a eleição presidencial funciona como um grande teste de confiança coletiva. O eleitor compara riscos, avalia promessas e decide qual caminho parece mais seguro para o país. Em um cenário polarizado, vence não apenas quem mobiliza seus apoiadores mais fiéis, mas quem consegue convencer o eleitor indeciso de que sua proposta representa menos incerteza.

Se esses seis movimentos se alinharem a favor da oposição, a disputa pode se tornar extremamente competitiva. Se se alinharem a favor do governo, a continuidade tende a se fortalecer. O que está em jogo, portanto, não é apenas uma eleição. É a forma como o país interpreta seu presente e escolhe o futuro que deseja construir.

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