segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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O governo que vende o passado para pagar o presente

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

O anúncio de que a Correios iniciaram a venda de prédios comerciais e unidades abandonadas é apresentado como medida de gestão. Na prática, é um retrato incômodo de um governo que perdeu a capacidade de planejar e agora administra a escassez. Vender patrimônio não é estratégia; é sobrevivência de curto prazo.

Quando um governo recorre à alienação de imóveis históricos e operacionais para fazer caixa, ele admite, ainda que indiretamente, que falhou em organizar despesas, modernizar serviços e definir prioridades. Não se trata de desfazer-se do que é inútil, mas de tapar buracos abertos por decisões erradas, custos inflados e ausência de direção. O patrimônio público vira moeda para pagar a conta do mês.

A narrativa oficial tenta normalizar a ideia: imóveis ociosos custam caro, é preciso reduzir manutenção. Verdade parcial. O que não se diz é por que ficaram ociosos, quem decidiu abandoná-los e por quanto tempo o Estado aceitou a degradação antes de anunciar o leilão. Patrimônio público não nasce abandonado; ele é abandonado.

- Continua após o anúncio -

Há ainda um efeito colateral ignorado. Cada prédio vendido representa menos presença estatal em bairros, centros históricos e cidades médias. Menos serviços, menos empregos, menos referência pública. O governo encolhe fisicamente enquanto promete ampliar políticas. A conta não fecha.

O mais grave é o precedente. Hoje são imóveis. Amanhã, quais ativos virão? Quando vender vira política recorrente, o Estado passa a administrar restos, não projetos. O discurso de responsabilidade fiscal perde credibilidade quando a solução é liquidar o que gera valor de longo prazo para cobrir déficits imediatos.

Gestão pública exige escolhas difíceis, mas também exige visão. Um governo que vende patrimônio para sobreviver está dizendo ao cidadão que não sabe como crescer, apenas como cortar. E quando o patrimônio acaba, o que será vendido depois?

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