
Neste fim de semana, Chapecó volta a ser palco de um evento que vai muito além do esporte. A motonáutica, realizada no distrito de Goio-Ên, no rio Uruguai, mostra na prática como eventos esportivos bem organizados geram impacto econômico real, rápido e mensurável para o município de Chapecó e para toda a região Oeste.
Os números ajudam a dimensionar esse impacto. A competição reúne mais de 30 embarcações, com pilotos do Brasil e de países vizinhos, mobilizando equipes técnicas, familiares, organização e público visitante. Em edições anteriores, a motonáutica atraiu cerca de 8 mil pessoas ao longo do fim de semana, um volume expressivo para um evento concentrado em dois dias e fora do eixo tradicional de grandes centros turísticos.
Esse fluxo se transforma rapidamente em dinheiro circulando na economia local. Hotéis operam com alta taxa de ocupação, restaurantes ampliam o movimento, postos de combustível, transporte por aplicativo, comércio e serviços sentem o efeito imediato. Considerando um gasto médio conservador entre R$ 150 e R$ 250 por pessoa, entre alimentação, hospedagem e deslocamento, o evento pode injetar algo entre R$ 1,2 milhão e R$ 2 milhões na economia regional em um único fim de semana.
Há também o impacto sobre o trabalho. Eventos desse tipo demandam segurança, limpeza, montagem de estrutura, apoio logístico e atendimento ao público, gerando empregos temporários e renda extra para trabalhadores locais. É um tipo de atividade econômica que não depende de subsídios permanentes, mas de organização, calendário e capacidade de atrair público.
Outro efeito, menos imediato, mas estratégico, é a visibilidade. A motonáutica projeta Chapecó como cidade capaz de sediar eventos esportivos de porte regional, fortalecendo a imagem do município e ampliando seu potencial de turismo de eventos. Isso conta na decisão de novos organizadores, patrocinadores e visitantes que passam a olhar a cidade como destino possível.
É importante dizer: eventos não resolvem sozinhos os desafios econômicos de um município. Mas ignorar seu potencial é um erro de política pública. Quando bem planejados, com custos controlados e integração com o comércio local, eles funcionam como um acelerador econômico de curto prazo e como ferramenta de posicionamento territorial no médio prazo.
A motonáutica deste fim de semana deixa uma lição clara. Esporte não é gasto supérfluo quando gera movimento, renda, trabalho e visibilidade. Em Chapecó, os motores na água ajudam a girar, também, as engrenagens da economia.






