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Lançamento de livro: Transformando o Brasil pelo Modelo Comunitário – Autor: Claudio Alcides Jacoski

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

O debate sobre o futuro da educação superior no Brasil exige mais do que opiniões apressadas ou slogans ideológicos: exige conhecimento, dados e compreensão histórica. É nesse contexto que o livro Transformando o Brasil pelo modelo comunitário: educação de qualidade, compromisso social e inovação para o desenvolvimento, de Claudio Alcides Jacoski, reitor da Unochapecó, se apresenta como uma leitura essencial para quem deseja entender por que as universidades comunitárias são parte estratégica da solução — e não do problema — do sistema educacional brasileiro. A obra está disponível para download gratuito pela Editora Argos, no endereço: https://editoraargos.com.br/e-books-gratuitos/transformando-o-brasil-pelo-modelo-comunitario, ampliando o acesso a uma reflexão profunda, necessária e atual sobre educação, desenvolvimento regional e interesse público.

O Brasil insiste em tratar a educação superior como um problema de planilha, quando na verdade ela é um problema de projeto de país. Ao longo das últimas décadas, o debate público foi capturado por uma falsa dicotomia: de um lado, a universidade estatal sobrecarregada, lenta e subfinanciada; de outro, a expansão agressiva do ensino privado com fins lucrativos, orientado por escala, redução de custos e padronização. Entre esses dois polos, um modelo robusto, testado e socialmente eficiente segue sendo subestimado: o modelo comunitário de educação superior.

As universidades comunitárias nasceram aonde o Estado não chegou. Foram criadas por iniciativa da própria sociedade civil, muitas vezes por fundações públicas municipais, associações regionais ou organizações confessionais sem fins lucrativos. Não têm donos, não distribuem lucros e reinvestem integralmente seus resultados na própria missão institucional. Ainda assim, são tratadas, na prática, como se fossem apenas mais um tipo de instituição privada, ignorando sua natureza pública não estatal, reconhecida em lei.

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O paradoxo é evidente. O país reconhece juridicamente o modelo comunitário, mas não o incorpora de forma estratégica às políticas públicas de educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento regional. A legislação existe, o histórico de resultados também, mas falta decisão política para transformar esse modelo em eixo estruturante do sistema nacional de ensino superior. O resultado é um desperdício institucional de enorme proporção.

Os dados são eloquentes. As instituições comunitárias atendem milhões de estudantes, formam profissionais em regiões fora dos grandes centros, sustentam cursos presenciais de alta complexidade, mantêm forte atuação em extensão universitária e lideram ecossistemas de inovação regionais. Parques científicos e tecnológicos de referência nacional nasceram dentro dessas universidades. Ainda assim, o financiamento público estrutural não chega, os editais raramente as tratam em condições equivalentes às universidades estatais e a regulação segue pensada para modelos que não dialogam com sua realidade.

Enquanto isso, o país assiste à expansão desordenada de formações de baixa densidade acadêmica, especialmente na educação a distância, com impactos diretos na qualidade da formação profissional, na produtividade econômica e na capacidade de inovação nacional. Não se trata de negar o uso de tecnologia, mas de questionar um modelo que transforma ensino superior em produto financeiro, e não em bem público.

O modelo comunitário oferece uma alternativa concreta, já instalada, capilarizada e socialmente legitimada. Ele articula ensino, pesquisa, extensão e inovação com compromisso territorial. Forma profissionais que permanecem nas regiões onde estudam. Produz ciência aplicada conectada a problemas reais. Atua em saúde, educação básica, assistência social e desenvolvimento econômico local. É, na prática, um instrumento de política pública operado pela sociedade civil.

Ignorar esse modelo não é apenas um erro técnico. É uma escolha política que fragiliza o desenvolvimento regional, aprofunda desigualdades e compromete o futuro do país. Valorizar as universidades comunitárias não significa enfraquecer o ensino público estatal, mas reconhecer que o Brasil é grande, diverso e complexo demais para depender de um único arranjo institucional.

Se o país deseja, de fato, transformar sua educação superior em motor de desenvolvimento, precisará abandonar discursos genéricos e fazer escolhas claras. Entre elas, reconhecer que o modelo comunitário não é um coadjuvante do sistema, mas uma das suas soluções mais maduras, eficientes e socialmente responsáveis.

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