
Chapecó voltou ao mapa principal do futebol brasileiro. O retorno da Chapecoense à Série A em 2026 não é apenas uma conquista esportiva; é, sobretudo, um fato econômico relevante para a cidade e para a região Oeste de Santa Catarina. Nesse contexto, a atuação de Alex Passos, presidente da Chapecoense, merece uma análise que vá além das quatro linhas.
O primeiro jogo da Chape na elite, na Arena Condá, simboliza mais do que noventa minutos de bola rolando. Cada partida em casa representa hotéis com maior taxa de ocupação, restaurantes cheios, bares ampliando turnos, transporte urbano e por aplicativo mais demandado, vendedores ambulantes trabalhando e uma cadeia inteira de serviços ativada. Em uma cidade como Chapecó, de economia diversificada, mas fortemente ancorada no trabalho e no empreendedorismo local, esse tipo de estímulo não é marginal — ele se sente no caixa diário.
Alex Passos tem sido consistente ao defender um modelo de gestão sem aventuras. Ao rejeitar discursos fáceis de estrelismo e apostar em um elenco competitivo dentro da realidade financeira do clube, ele sinaliza maturidade administrativa. Esse posicionamento não protege apenas a Chapecoense; protege também a economia local. Clubes que gastam além do que arrecadam até podem gerar euforia momentânea, mas costumam deixar um rastro de dívidas, atrasos e frustração coletiva. A prudência, nesse caso, também é política econômica.
A Série A amplia a visibilidade nacional de Chapecó. A cidade passa a ser citada semanalmente em transmissões, programas esportivos, portais de notícias e debates nacionais. Isso tem valor econômico. Marcas locais ganham exposição, patrocinadores se sentem mais seguros para investir e o município reforça sua imagem como polo regional organizado, com infraestrutura e capacidade de receber grandes eventos. Esse capital simbólico, embora não apareça imediatamente em planilhas, influencia decisões de investimento e consumo.
Há ainda o efeito emprego. Jogos em casa exigem segurança, limpeza, operação, alimentação, logística. Parte desses postos é temporária, mas recorrente ao longo da temporada. Em um ano inteiro de Série A, esse movimento se repete dezenas de vezes, criando renda complementar para muitas famílias. Não é exagero dizer que o futebol, quando bem administrado, funciona como um pequeno motor anticíclico da economia urbana.
É claro que existem custos públicos: trânsito, segurança, serviços urbanos. Mas eles são previsíveis e gerenciáveis quando há calendário, planejamento e diálogo institucional. A alternativa — um clube desorganizado, endividado e instável — costuma ser muito mais onerosa para o poder público e para a sociedade.
Alex Passos não vende ilusões. Sua fala é direta, às vezes até pouco sedutora para quem espera promessas grandiosas. Mas é justamente essa sobriedade que sustenta o impacto econômico positivo da Chapecoense em 2026. A cidade não precisa apenas de vitórias; precisa de estabilidade, previsibilidade e reputação.
A Série A não é um fim em si mesma. É um meio. Um meio de girar a economia, fortalecer a identidade local e projetar Chapecó nacionalmente sem romper com a realidade fiscal. Nesse sentido, a gestão de Alex Passos acerta ao lembrar que futebol também é indústria, e indústria séria não se constrói com improviso.
Quando a bola rola na Arena Condá, o dinheiro também gira. E, desta vez, gira com mais responsabilidade.






