
O governo federal encerrou 2025 vendendo a narrativa de “meta cumprida”, mas os números contam outra história. O resultado primário do governo central fechou o ano com déficit de aproximadamente R$ 61,6 bilhões, algo perto de 0,5% do Produto Interno Bruto. Ainda assim, a contabilidade oficial declarou vitória ao retirar cerca de R$ 48,7 bilhões do cálculo da meta, empurrando o déficit “ajustado” para perto de R$ 13 bilhões — dentro da margem legal. Cumpriu-se a letra da regra, não o espírito da responsabilidade fiscal.
Quando o olhar se amplia para o setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais), o quadro segue preocupante: déficit primário ao redor de R$ 55 bilhões em 2025, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto. O argumento de que “está sob controle” não resiste à recorrência do desequilíbrio.
O problema fica incontornável quando entram os juros da dívida. O déficit nominal — que é o que efetivamente aumenta o endividamento — superou R$ 1 trilhão em 2025, algo próximo de 8% do Produto Interno Bruto. Em outras palavras, o país gastou mais de um trilhão de reais além do que arrecadou ao considerar o custo financeiro de carregar a dívida. Isso não é detalhe técnico; é o centro do problema.
O estoque da dívida pública bruta fechou o ano em torno de 78,7% do Produto Interno Bruto, patamar elevado para uma economia emergente que depende de confiança para financiar investimentos e reduzir juros. Cada ponto percentual a mais de dívida encarece o crédito, pressiona a taxa básica e sufoca crescimento.
Defensores do governo lembram que dezembro teve superávit mensal e que a regra fiscal permite exclusões. É verdade. Mas superávit pontual não compensa doze meses de desequilíbrio, e regra fiscal não foi criada para driblar a realidade, e sim para enfrentá-la. Transformar exceção em método é admitir que o ajuste ficou para depois — de novo.
O recado dos números é simples e duro: a conta não fecha. Enquanto o discurso celebra metas “cumpridas” por ajuste de régua, o país paga juros altos, a dívida cresce e o espaço para políticas públicas de qualidade encolhe. Responsabilidade fiscal não é retórica nem arranjo contábil. É decisão política. E, em 2025, essa decisão ficou aquém do necessário.







