terça-feira, março 17, 2026
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A conta que chegou: por que o Brasil já discute uma nova reforma da Previdência

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

A política brasileira costuma adiar problemas. Mas a Previdência é um daqueles temas que não aceitam postergação indefinida. Os números que começaram a aparecer nas estatísticas fiscais em 2025 são claros: o sistema entrou novamente no radar das grandes reformas estruturais do país.
Pela primeira vez na história, o gasto anual com aposentadorias ultrapassou R$ 1 trilhão. Em 2025, a despesa chegou a cerca de R$ 1,026 trilhão, enquanto a arrecadação previdenciária ficou em aproximadamente R$ 709,7 bilhões. O resultado foi um déficit de R$ 317 bilhões apenas no regime geral da Previdência.
Quando se somam todos os regimes — trabalhadores da iniciativa privada, servidores e militares — o gasto previdenciário já representa cerca de 12% de toda a riqueza produzida no país, medida pelo Produto Interno Bruto.
Esses números explicam por que economistas, técnicos do governo e especialistas que participaram da reforma de 2019 começaram a desenhar novas mudanças para os próximos anos.
O problema central é demográfico. O Brasil está envelhecendo rapidamente. O número de aposentados cresce a cada ano, enquanto o número de trabalhadores que contribuem não cresce na mesma velocidade. Em termos simples, cada vez menos pessoas pagam a conta de cada vez mais beneficiários.
O resultado aparece no déficit. Em valores reais, o rombo da Previdência saltou de cerca de R$ 147 bilhões em 2015 para mais de R$ 323 bilhões em 2025, praticamente dobrando em uma década.
Isso cria um efeito dominó na economia. Como as contribuições não são suficientes para pagar os benefícios, o governo precisa completar a conta com dívida pública. Essa dívida gera juros maiores, pressiona o orçamento federal e reduz o espaço para investimentos em áreas como infraestrutura, educação ou saúde.
Outro fator que pesa no sistema é o salário-mínimo. Aproximadamente 60% dos benefícios previdenciários têm valor equivalente ao mínimo nacional. Assim, toda vez que o salário-mínimo sobe acima da inflação, a despesa da Previdência aumenta automaticamente.
Em outras palavras, o sistema é altamente sensível às decisões políticas e à evolução demográfica.
É importante lembrar que o Brasil já fez uma reforma recente. Em 2019, foram criadas idades mínimas de aposentadoria — 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além de mudanças no tempo de contribuição.
Mesmo assim, os números indicam que a mudança pode não ter sido suficiente para estabilizar o sistema no longo prazo.
O debate que começa a surgir agora envolve algumas possibilidades: elevar gradualmente a idade mínima de aposentadoria, revisar regras de cálculo dos benefícios, aproximar regimes de servidores e trabalhadores privados e estimular mecanismos de previdência complementar.
Nenhuma dessas medidas é politicamente simples. Previdência é um tema que mobiliza milhões de brasileiros e costuma gerar forte resistência social. Por isso, dificilmente uma nova reforma avançará sem grande debate político.
Mas existe uma verdade incômoda que os números revelam: a Previdência é hoje o maior gasto do Estado brasileiro. E quando um único sistema consome mais de um trilhão de reais por ano, qualquer discussão sobre o futuro das contas públicas passa inevitavelmente por ele.
No fim das contas, a pergunta não é mais se haverá uma nova reforma da Previdência.
A pergunta real é quando ela se tornará inevitável.

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