
“Vejo o esporte como motivação de vida”. A frase resume a relação de Elói Soares Júnior com o paradesporto. Vítima de um acidente de motocicleta em 2015, ele fraturou a coluna, passou 32 dias internado no Hospital Regional do Oeste (HRO) e ficou outros seis meses acamado.
Hoje, aos anos de sua trajetória no esporte adaptado, Elói se prepara para disputar os Parajasc por Chapecó. A competição representa mais um capítulo de uma história marcada por recuperação, autonomia e conquistas.
O que aconteceu com Elói após o acidente?
Depois do acidente, Elói precisou de ajuda para realizar praticamente todas as atividades do dia a dia. Durante os seis meses em que permaneceu acamado, perdeu muita massa muscular e precisou reconstruir, aos poucos, sua autonomia.
“Mas aos poucos fui começando a ir pro sofá sozinho, voltar para a cama. Demorou um pouco, cerca de um ano, até eu fazer todos esses processos sozinho”, lembra.
Depois desse período, ele voltou a estudar o Ensino Médio em Águas de Chapecó, onde morava. Para chegar à escola, percorria diariamente entre quatro e cinco quilômetros.
Como Elói começou no paradesporto?
Antes do acidente, Elói já tinha contato com o esporte. Aos 15 anos, praticava futsal e futebol. A retomada aconteceu depois que ele se mudou para Chapecó em busca de oportunidades profissionais.
Foi na cidade que conheceu o handebol em cadeira de rodas. Edivan, presidente dos Falcões do Oeste e colega de trabalho de Elói na época, o convidou para acompanhar os jogos da equipe.
“Não conhecia nada, então eu comecei a ir e naquele momento peguei paixão pelo esporte. Entrei de cabeça no esporte e estou na equipe há cinco anos”, conta.
Quais conquistas Elói já alcançou?
Ao longo da trajetória no handebol em cadeira de rodas, Elói conquistou três medalhas de terceiro lugar no Campeonato Brasileiro da modalidade.
Nos Parajasc, também soma duas medalhas de prata, conquistadas em 2024 e 2025. Nessas edições, parte da equipe dos Falcões do Oeste competiu por Caxambu do Sul.
O ouro ficou com Chapecó, que já soma nove títulos nos Parajasc. Neste ano, Elói defenderá o município e terá a oportunidade de disputar a competição diante da torcida.
Elói também pratica outras modalidades?
Sim. Além do handebol em cadeira de rodas, Elói já competiu no ciclismo. Ele comprou uma handbike e participou da primeira competição na classe H3.
A experiência, porém, terminou com uma queda. Elói sofreu o acidente em uma curva enquanto tentava realizar uma ultrapassagem.
Ele também pratica fisiculturismo. No ano passado, foi campeão do Muscle Contest, em Chapecó, na categoria especial.
A modalidade, entretanto, não faz parte dos Parajasc. Por isso, ele disputará apenas o handebol nesta edição.
Por que o esporte é importante para a autonomia de Elói?
Para Elói, manter a musculatura ativa vai muito além das competições. O treinamento é parte da rotina que permite realizar atividades do cotidiano com mais independência.
“Faço uma dieta especial para manter minha musculatura. Se eu parar de competir, eu seco. Para mim o esporte é questão de sobrevivência, pois com a musculatura em dia consigo ter autonomia para sair da cadeira, dirigir, ir no trabalho, fazer as coisas em casa”, explica.
Ele utiliza um carro adaptado, no qual embreagem, freio e acelerador podem ser acionados manualmente. A cadeira de rodas também é colocada por ele no veículo. Elói desmonta o equipamento, retira as rodas e acomoda a cadeira no banco traseiro.
Como Elói retomou os estudos e o trabalho?
Mesmo durante a recuperação, Elói não abandonou a ideia de voltar a praticar atividades físicas. Depois do período de reabilitação, buscou formação na área de Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Ele conseguiu emprego no setor e retomou as competições esportivas, conciliando trabalho e treinamentos.
O que o esporte representa para Elói?
Para o atleta, o esporte passou a representar uma forma de manter o corpo ativo, ampliar a autonomia e também fortalecer os vínculos sociais.
“Hoje eu vejo o esporte como uma motivação de vida. Se você pratica esporte tua cabeça funciona, teu corpo age e consequentemente você terá uma vida melhor”, afirma.
Elói também destaca o contato com outras pessoas proporcionado pelas atividades esportivas. Para ele, estar inserido no esporte ajuda a evitar o isolamento e cria novas oportunidades de convivência.
“Quem hoje não está no esporte deveria se mexer. Problema é a falta de vontade. A pessoa tem que querer”, conclui.






