Chapecó deve receber a primeira Escola Cívico-Militar

Essa semana Chapecó recebeu uma resposta favorável sobre a instalação de uma escola no município

Foto: CCS/PMSC

O ano de 2020 pode começar com novidades em Chapecó. Nesta semana, a vereadora Astrit Tozzo recebeu uma resposta sobre o pedido da instalação de uma Escola Cívico-Militar no Município e a resposta foi favorável. No documento encaminhado à legisladora foi informado que Chapecó foi previamente indicado para receber o colégio. O documento pontua que “embora ainda não haja a decisão final das escolas e o quantitativo inicial do projeto piloto, na oportunidade de análise nos critérios supra, Chapecó foi contemplada”. Contudo, o documento reforça que trata-se de uma indicação prévia e que demanda a confirmação por parte da Secretaria Estadual de Educação.

A resposta foi encaminhada por Gabriel Arthur Loeff – coordenador da Central de Atendimento a Municípios. Ele explica que o modelo em construção “é idealizado para implantação em certas unidades de ensino estaduais e municipais, por meio de convênios envolvendo a Secretária de Estado da Educação, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e os Municípios”.

Conforme resaltou Loeff , a primeira indicação das unidades decorre não somente da avaliação dos comandos das instituições (PMSC e Bombeiros), mas da receptividade e consulta aos diretores, docentes e comunidade escolar.

O ofício 699/2019/CMS – que solicita a adoção da Escola no município – foi encaminhado em agosto pela Câmara Municipal, por meio da vereadora Astrit Tozzo. A vereadora ficou satisfeita e otimista com a resposta que recebeu do Governo do Estado. “Em agosto fizemos uma solicitação pedindo uma Escola Cívico-Militar aqui em Chapecó, porque aqui no Oeste não temos nada, maioria estão no litoral. Recebemos nesta semana a resposta, por meio do Gabriel Arthur. E a resposta seria que sim. Que nós seriamos contemplados com uma Escola Cívico-Militar. Mas é claro que é uma indicação prévia“.


O ClicRDC teve acesso ao documento enviado em resposta a solicitação

A vereadora defende que o Oeste catarinense também precisa ser contemplado. “Nós precisamos ter aqui também algo diferente, algo novo, que vem complementar. Ela não vem atrapalhar nada, não vem para enfrentamento, nada disso. Mas sim para colaborar, na verdade de uma forma um pouco diferente na questão da gestão, porque o que mais importa nessa escola é a questão da gestão cívico militar. Nós estamos carentes de algumas coisas, precisamos compreender algumas coisas, quem sabe vem uma nova ideia, mesclando com a nossa, que trará mais qualidade“, avalia.

O Coronel Ricardo Alves da Silva, comandante da Polícia Militar em Chapecó, disse que a grande mudança é a questão da gestão, que pode ser feita por profissionais da Polícia Militar ou do Exército – que estão na reserva remunerada. Ele explicou que nesse momento a grade curricular ainda não foi elaborada, nem como funcionaria no município. “Como Chapecó tem uma estrutura pré-disposta a adquirir esse projeto, nós entramos na pauta para que uma equipe da Secretária da Educação, passe por aqui, vistorie e efetivamente entenda se é viável ou não esse colégio Cívico Militar no Município”.

Importância

O presidente da Câmara Municipal, Ildo Antonini avalia que esse modelo de escola é importante para Chapecó. “A Escola Cívico Militar a gente vê num sentido em que a disciplina militar é uma disciplina com mais rigor, com mais rigidez. Assim poderemos ter uma sociedade com menos confrontos entre educadores e alunos. Hoje nós vemos nas escolas uma falta de compreensão e educação dos alunos com os professores e até de alguns professores com os alunos. Acredito que na escola militar, como o regime é diferente, o respeito será mutuo. E nós teremos uma sociedade muito mais culta”, avalia.

O presidente do legislativo chapecoense acredita que com a medida o sistema de tratamento entre professores e aluno deve melhorar. A percepção da vereadora Astrit é semelhante. “Nós precisamos aprender a respeitar, a ter limites, a viver em sociedade e a ser cidadãos. Alguns deveres foram esquecidos, foram muitos direitos, e com a escola quem sabe consigamos retomar algumas coisas “.

Já o coronel Ricardo da PM de Chapecó, considera que a população pede por essa mudança no ensino.

Metodologia

Astrit avalia que a Escola Cívico Militar possui uma metodologia diferenciada em relação as que estão em funcionamento no município.

Eu sempre pensei, como educadora, que seria muito interessante ter uma nova experiência em Chapecó, até para difundir as ideias, as pedagogias, as ações. Ao conhecer a proposta da escola, eu sempre fui favorável. Sabendo que – através do Ministérios de Educação e Cultura-, iria abrir a possibilidade da instalação escolas no Brasil e que talvez Santa Catarina seria contemplada, entrei em contato com algumas pessoas e com o Governo do Estado, para que Chapecó fosse contemplado“.

Próximos passos

Após saber que Chapecó esta no radar para receber a Escola Cívico Militar, o próximo passo é aguarda a informação oficial. Também esperar a definição do local em que a Escola deve funcionar.

“Agora é guardar a visita do pessoal da Secretaria da Educação, para eles vistoriarem e entenderem que Chapecó tem efetivo/corpo docente para absorver essa primeira instalação do colégio aqui. Seria, na verdade, um dos primeiros em Santa Catarina dentro dessa modalidade”, pontua o Coronel Ricardo.

O presidente da Câmara, Ildo Antonini, acredita que dentro de pouco tempo a escola deverá estar instalada em Chapecó. Conforme a vereadora Astrit, o próximo passo é aguardar o cumprimento dos critérios. “Acredito que para o ano que vem já teremos ótimas notícias”, considera a vereadora.

Escola

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares é uma iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Defesa, que apresenta um conceito de gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares. A proposta é implantar 216 Escolas Cívico-Militares em todo o país, até 2023, sendo 54 por ano.         

De acordo com o MEC, o modelo a ser implementado tem o objetivo de melhorar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas e se baseia no alto nível dos colégios militares do Exército, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros Militares. Os militares atuarão no apoio à gestão escolar e à gestão educacional, enquanto professores e demais profissionais da educação continuarão responsáveis pelo trabalho didático-pedagógico.


Participarão da iniciativa militares da reserva das Forças Armadas, que serão chamados pelo Ministério da Defesa. Policiais e Bombeiros militares poderão atuar, caso seja assim definido pelos governos estaduais e do Distrito Federal.