
⚡ Em Resumo:
- O que é: Estudante de Itapema, com TEA e altas habilidades, conquistou a medalha de ouro regional na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP)
- Números/Dados: Davi tem 14 anos, recebeu diagnóstico de TEA aos 1 ano e 10 meses, conquistou bronze nacional em 2024 e ouro nacional e regional em 2025
- Onde: Itapema, no Litoral de Santa Catarina, com premiações em Florianópolis e no Rio de Janeiro
- Quem afeta: Estudantes, famílias, educadores e pessoas que acompanham iniciativas de inclusão e incentivo aos talentos na educação
Para a família de Davi Dalmut, a medalha de ouro representa muito mais do que um excelente desempenho em uma competição. Aos 14 anos, o estudante do 9º ano da rede municipal de Itapema, no Litoral de Santa Catarina, foi reconhecido na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), considerada a maior competição estudantil de matemática do país.
Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e altas habilidades/superdotação, Davi construiu uma trajetória marcada pelo incentivo da família, dedicação aos estudos e paixão pelos desafios matemáticos.
Como surgiu o talento de Davi para a matemática?
Os primeiros sinais apareceram ainda na infância. Com apenas 1 ano e 6 meses, Davi já cantava o alfabeto em português e inglês. Antes dos 3 anos, aprendeu a ler sozinho, demonstrando hiperlexia e um interesse incomum por letras, números, calendários e padrões.
Além disso, passava horas montando quebra-cabeças e criando construções com peças de LEGO, atividades que despertavam seu raciocínio lógico e sua criatividade.
Em 2020, aos 8 anos, uma avaliação neuropsicológica confirmou as altas habilidades, especialmente na matemática. Segundo a família, o diagnóstico apenas explicou um talento que já fazia parte da rotina do adolescente.
Como foi a trajetória até a medalha de ouro?
A participação de Davi na OBMEP começou de forma natural, motivada pelo prazer em resolver problemas matemáticos.
Em 2024, ele conquistou a medalha de bronze nacional e a prata regional. No início de 2025, passou a integrar o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), iniciativa da OBMEP que reúne estudantes medalhistas para atividades de aprofundamento em matemática.
Ainda em 2025, alcançou o maior resultado da carreira ao conquistar as medalhas de ouro nacional e regional. A conquista também garantiu sua participação no Encontro Nacional dos Medalhistas e na cerimônia oficial de premiação, realizada no Rio de Janeiro.
O que a conquista representa para Davi e sua família?
Questionado sobre o significado da medalha, Davi resumiu a conquista em poucas palavras: “Meu amor pela matemática.”
Para a família, a resposta traduz a relação espontânea do adolescente com os estudos. Mais do que colecionar medalhas, o objetivo sempre foi oferecer oportunidades para que ele desenvolvesse seus talentos respeitando suas características e seu ritmo.
A experiência no encontro nacional também representou um importante passo para a autonomia e o desenvolvimento social do estudante, que pôde conviver com centenas de jovens que compartilham o mesmo interesse pela matemática.
Como é a rotina do estudante?
Além da matemática, Davi também gosta de inglês, acompanha conteúdos no idioma e conversa em inglês com o irmão gêmeo, Samuel, que também é autista.
O adolescente é apaixonado pelo universo de Super Mario, gosta de conteúdos sobre Jesus e mantém uma rotina que inclui escola, acompanhamento psicológico, aulas do PIC, natação e momentos dedicados aos estudos e ao computador.
Na escola, recursos como abafadores de ruído e espaços de regulação sensorial ajudam na adaptação ao ambiente escolar.
Qual mensagem a história deixa para outras famílias?
Para a mãe, Josi Dalmut, a conquista mostra que o acolhimento, o incentivo e o acesso às oportunidades permitem que talentos sejam desenvolvidos independentemente de um diagnóstico.
Segundo ela, o maior desejo da família nunca foi formar um medalhista, mas proporcionar ao filho condições para crescer com autonomia, fortalecer suas habilidades sociais e ser reconhecido por quem realmente é.
A trajetória de Davi reforça a importância de olhar para o potencial de cada estudante e valorizar suas capacidades, respeitando suas individualidades e promovendo uma educação cada vez mais inclusiva.
Fonte: Jornal Razão






