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O Bicentenário da Independência

Leia a coluna de Vitor Marcelo Vieira na Quinta da Opinião

O ano de 2022 é um ano muito especial. Isso porque além das eleições gerais e da Copa do Mundo que desta vez será nos dois últimos meses do ano, vamos comemorar também o bicentenário da independência do Brasil.

Qual o sentido que podemos atribuir a uma data histórica como essa à luz dos acontecimentos que estamos vivendo atualmente? Vou pontuar aqui três eventos ocorridos em períodos diferentes para refletir sobre essa data.

Primeiro, gostaria de destacar que o passado é evocado a todo instante para legitimar as ações do presente e do futuro. Numa de suas primeiras viagens ao exterior logo após assumiu a presidência da república, Jair Bolsonaro afirmou nos EUA, que era preciso desconstruir tudo que havia em temos de pensar uma nação e construir uma nova.

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Outro evento foi que durante o mês de maio deste ano um jornal de circulação nacional fez uma pesquisa com 169 intelectuais de língua portuguesa para que indicassem uma lista com 200 livros para entender o Brasil. O nome do projeto é “200 anos, 200 livros” e os cinco primeiros livros foram os seguintes: 1° Quarto de Despejo-Carolina Maria de Jesus; 2° Grande Sertão: Veredas–Guimarães Rosa; 3° A Queda do Céu–Davi Kopenawa e Bruce Albert; 4° Raízes do Brasil–Sérgio Buarque de Holanda; 5° Casa-Grande & Senzala–Gilberto Freyre.

Outro evento ocorreu em 1993, no dia 08 de março, quando o então ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, conduziu uma Aula Magna do Instituto Rio Branco e depois publicou artigo com o título Livros que Inventaram o Brasil. Naquele momento ele listou três clássicos para pensar o Brasil: Casa-Grande & Senzala de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda e A Formação do Brasil Contemporâneo de Caio Prado Júnior.

Na ocasião, disse que essas três obras eram por excelência, livros para interpretar o Brasil. Estas são obras que foram produzidas nos anos 1930 e que segundo o sociólogo Fernando Henrique Cardoso falava naquele dia, obras-primas para se entender o Brasil.

Na enquete realizada por um dos grandes jornais do país, como se observa, Raízes do Brasil e Casa-Grande & Senzala seguem no topo da lista como obras que inventaram o Brasil. Mas também quero falar de outras, e caso eu tivesse tido a oportunidade de participar da enquete 200 anos, 200 livros, indicaria também Os Donos do Poder de Raimundo Faoro e A Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado, que sem dúvida é uma fonte necessária para a compreensão da nossa sociedade brasileira.

Mas a pergunta que não quer calar é: qual o sentido que o bicentenário da independência, que será comemorado no 7 de setembro deste ano, terá para nós, principalmente aqui de nossa região oeste de Santa Catarina? Quais as representações que nossa sociedade chapecoense tem a respeito dos 200 anos de Brasil? Ou ainda, qual passado rememorar? Qual futuro projetar? O que nos resta comemorar? Qual Brasil queremos?

Inevitavelmente tenho a dizer que essas obras citadas seguem sendo fundamentais para a compreensão do pensamento social brasileiro. Portanto, é importante compreender que esse momento serve para refletirmos sobre qual futuro queremos para nossos filhos, nossas famílias. E para finalizar, qual livro você considera importante para entender o Brasil? Um abraço e até a próxima.

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