InícioChapecóO bairro Cristo Rei e a força da comunidade 

O bairro Cristo Rei e a força da comunidade 

Os dias atuais. Créditos: Júlia Mocellin de Carvalho

Antigo loteamento Eldorado I, o bairro Cristo Rei foi construído pelas mãos das pessoas. Registros da paróquia São Cristóvão, responsável pela comunidade religiosa, indicam que em 1984 cerca de 20 pessoas se reuniram na Rua São Francisco do Sul com a presença do Padre Chico, no encontro para conduzir um momento de oração. Na ocasião, foi feita uma diretoria e um chá para arrecadar recursos, que, aos poucos, deram forma e vida ao bairro. 

Em meio a um terreno banhado, as pessoas foram construindo casas e famílias no local. Quando separado dos loteamentos Eldorado II e III, em 1987, o bairro foi batizado com o nome do padroeiro da igreja católica: Cristo Rei do Universo, a pedido da comunidade que levou a intenção à Câmara de Vereadores de Chapecó. Maria Luíza Pereira Ramos Cortina, moradora do bairro há 36 anos, veio com o esposo e os filhos ainda pequenos. Conta que quando chegou, “não tinha nada”, com poucas casas e moradores e apenas a pequena igreja construída, a paisagem local era “muito diferente de hoje”. 

Desde que chegou com a família, Maria se envolveu com a Associação de Moradores, peça importante para conquistas da comunidade. “Na época só tinha o livro ata. Não tinha nada”, lembra ela. Com pedidos à Prefeitura Municipal e captação de recursos através de Deputados Estaduais, o ginásio multiuso do bairro foi construído. O espaço é utilizado por grupos de idosos e mães, além de ser espaço para o desenvolvimento das novas gerações, que utilizam para a prática esportiva. A quadra também é alugada, e esse recurso entra no caixa da Associação. O dinheiro do aluguel não é muito, Maria afirma que “a manutenção do ginásio com água, luz e coisas que estragam é alta”, o que dificulta. O desafio da Associação hoje envolve esse espaço de convívio: “Estamos na luta para ver se conseguimos cercar o ginásio”, reforça Maria, com objetivo de melhorar a segurança do local. Atualmente, a Associação de Moradores estima 2500 a 3000 habitantes no bairro Cristo Rei. 

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A escola, o espelho

Créditos: Júlia Mocellin de Carvalho

A história da Escola de Educação Básica Saad Antônio Sarquis acompanha o desenvolvimento da região. Implantada em uma área doada pela Prefeitura em 1984, a unidade iniciou suas atividades com a Educação Pré-Escolar em 1988 e ampliou o atendimento com a implantação do Ensino Médio em 1999. Atualmente, é escola para cerca de 850 alunos. O atual Diretor Escolar, João Pedro Dalbosco, e Assessor de Direção Paulo Sérgio Paz de Oliveira, acompanham o desenvolvimento e a trata como espaço de resistência. 

“Quando a escola começou, aqui só tinha barraco de lona”, disse Paulo. A tipografia do terreno não favorecia a construção, que precisou de aterramento para que outros pedaços da estrutura pudessem ser concluídos. Na conversa, Paulo lembrou a trajetória do colega, João Pedro, que há 30 anos defende e semeia educação no espaço público. Juntos, rememoram uma época em que o vandalismo e briga entre “ganguezinhas” rivais era comum. Vidros eram quebrados com frequência, a comunidade escolar era pouco participativa, casos de roubos aconteciam. “Na época do DVD, em cada sala a gente colocou um televisor e um aparelho. E em 15 dias arrombaram três vezes a escola, levaram todos os aparelhos”, conta João. 

Ao assumir a direção, ações para que a participação dos pais na escola aumentasse, foram tomadas. Foi criado um lema para “cativar a comunidade”. Em bilhetes enviados para casa, estava escrito: “O pai que ama o seu filho e valoriza a escola não deixa de participar”. E uma Assembléia que antes havia tido apenas 28 presentes, com insistência da direção e professores, teve 280 comparecimentos. Além do trabalho com a comunidade escolar, os diretores fizeram mais. Eles conversavam com ex-alunos que tinham costume de usar droga nas redondezas, avisando que “não é legal”. A conversa foi vencendo e “hoje, você pode passar ao redor da escola, você vai encontrar cinco vidros quebrados”, complementa o diretor. 

Certa vez, no programa Sala de Debates da Rádio Condá FM, João Paulo foi perguntado sobre os objetivos com a posse da direção da escola. “Eu coloquei que era transformar a escola no espelho da comunidade. E hoje a gente sente que é referência”. 

As árvores ao redor da escola foram plantadas por João Pedro Dalbosco, há 28 anos, e cresceram com a comunidade. Créditos: Júlia Mocellin de Carvalho

 

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