


A possibilidade de greve dos caminhoneiros, aliada ao recente aumento nos preços dos combustíveis, provocou uma corrida aos postos em diversas cidades de Santa Catarina. Em Chapecó, filas foram registradas desde a tarde de quarta-feira (18) e seguiram ao longo da manhã desta quinta-feira (19), com aumento significativo na procura por gasolina e diesel.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Chapecó (Sindipostos), Zamir Claudio Galli, o movimento atípico começou após a circulação de informações sobre uma possível paralisação nacional. Segundo ele, a rápida disseminação da notícia gerou preocupação entre os consumidores, resultando na formação de filas ao longo de toda a noite.
Apesar da alta demanda, Galli afirma que não há desabastecimento generalizado neste momento. No entanto, ele alerta que a procura acima do normal pode causar falta pontual em alguns estabelecimentos. “Com essa venda extra, pode ter posto que vai faltar combustível. Isso é fato”, destacou.
O dirigente reforça que a situação atual é consequência direta do aumento repentino no consumo, e não de uma crise no fornecimento. Ainda assim, ele aponta que distribuidoras têm enviado volumes menores do que o habitual, o que contribui para o cenário de instabilidade.
Outro fator que pressiona o setor é o aumento no preço do diesel, que impacta diretamente o transporte rodoviário de cargas, responsável por grande parte da logística no país. Segundo Galli, o diesel pode representar até metade dos custos operacionais do setor.
Ele também explica que o Brasil ainda depende da importação de combustíveis, especialmente do diesel, o que influencia nos reajustes. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, enquanto a gasolina tem menor dependência externa, o que ajuda a explicar a diferença no aumento de preços.
Sobre a formação dos valores nos postos, Galli destaca que os estabelecimentos são o último elo da cadeia e acabam repassando os preços definidos pelas distribuidoras. Em momentos de alta demanda, a tendência é de variação nos preços conforme a disponibilidade de produto.
A confirmação da greve dos caminhoneiros ainda é incerta. Uma reunião para discutir o tema foi adiada, o que mantém o cenário indefinido. Caso a paralisação não se concretize, a expectativa é de que a situação se normalize gradualmente ao longo da próxima semana.
Por fim, o presidente do Sindipostos orienta a população a evitar atitudes precipitadas, como estocar combustível. Segundo ele, não há necessidade de encher tanques ou armazenar produto em casa neste momento.
Municípios adotam restrições
Prefeituras da região Oeste de Santa Catarina começaram a adotar medidas preventivas diante do cenário de incerteza no abastecimento de combustíveis. Municípios como Nova Erechim, Saudades e Pinhalzinho anunciaram restrições nos atendimentos públicos ao longo desta semana.
Entre as ações adotadas estão a suspensão de serviços considerados não essenciais e a priorização de atendimentos nas áreas de saúde, segurança e emergências, com o objetivo de garantir o funcionamento dos setores básicos em caso de agravamento da situação.
Em Chapecó, até o momento, a administração municipal não anunciou mudanças no funcionamento dos serviços públicos, mantendo o atendimento normal à população.






