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O que você jamais leria em um livro da história de Chapecó

"Rambo", "Pé de Bocha" e "Chocolate": Conheça mais sobre as figuras públicas de Chapecó

Foto: Reprodução/ClicRDC

Por Yago Ourique

O projeto multimídia do ClicRDC para o aniversário da capital do oeste abraçou vários segmentos. A cidade foi debatida e observada por figuras que conhecem a nossa história, junto de jornalistas do Grupo Condá de Comunicação. Os tempos de ouro na vida social; a relação de quem vive Chapecó e a Associação Chapecoense de Futebol; o empreendedorismo no campo; as etnias que fizeram com que nos tornássemos quem somos hoje. Todos estes temas foram abordados, em vídeo, áudio e texto. Assuntos relevantes e desta vez explorados como nunca antes. 

Ainda assim, de uma maneira ou de outra, já foram pauta na mídia local em outras ocasiões e constam nos anais da história Chapecoense. Mas queríamos mais. Queríamos promover uma quebra no que se imagina de uma recuperação histórica sobre a cidade e, para alcançarmos isso, não de uma maneira melhor ou pior, apenas diferente,  “Chapecó 104 anos – Causos e Histórias” provocou uma leitura incomum da nossa comunidade. Colocamos luz onde não existia. Contar causos que jamais farão parte dos livros de história e valorizar as personalidades que, mesmo vivendo à marginalidade, estão na memória e nas rodas de conversa de quem aqui mora. Esse foi o objetivo do último episódio da série e é também desta reportagem. Vamos falar sobre os “malditos”.

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Para organizar o conteúdo deste texto, vamos considerar três expressões estranhas que, se analisadas de perto, farão todo o sentido. 

• Contracultura: Uma cultura com valores e costumes colidentes com os da sociedade estabelecida.

•Marginal: indivíduo que vive à margem;  

•Maldito: amaldiçoado; desprezado; condenado.

Quem nos guia neste universo é o filósofo, especialista em sociologia e educação, mestre e doutorando em história, professor Leonardo Dlugokenski. Nas redes sociais o professor Léo conta de uma maneira simplificada e objetiva algumas situações curiosas sobre a sociedade chapecoense, abordando assuntos sob uma ótica que não é explorada comumente. Nenhuma fonte seria mais adequada para cumprirmos com o objetivo final deste projeto. 

Momentos de paixão, experiências interplanetárias, situações cômicas e finais trágicos fazem parte deste enredo.

Vermelho, Azul, Verde e Branco – A relação do chapecoense com o futebol

A relação da Associação Chapecoense de Futebol nem sempre foi como a que vivemos hoje. A Chapecoense atualmente é o primeiro time de muitos, e o segundo time de todos. Já nas  décadas de 70, 80 e 90, as cores que pintavam a cidade de Chapecó eram outras que não a verde: o azul, preto e branco do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense e o vermelho e branco do Sport Club Internacional. A relação entre quem vivia no oeste catarinense e os times gaúchos era muito próxima, pela influência da televisão, por parentesco com gaúchos, ou pelos próprios gaúchos que chegavam a Chapecó. Em relação à TV, ao contrário do resto de Santa Catarina, Chapecó não recebia o sinal da capital Florianópolis e consumia os conteúdos distribuídos pela rede gaúcha de televisão. O sinal reproduzido a partir da capital catarinense esbarrava na serra do estado, não chegando com boa qualidade em nossa região. Já as ondas que vinham de Porto Alegre chegavam à Erechim e eram replicadas para Chapecó. Isto, aliado a times incríveis como o rolo compressor colorado da década de 70, que tinha em seu plantel Paulo Roberto Falcão, Manga e Figueroa e o tricolor campeão do mundo com De León, Mazaropi e Renato Portaluppi, empolgavam os torcedores dessa geração. Tanto que ambos os times tinham bares temáticos e uma torcida enorme,que invadia a cidade em dia de GreNal, ou finais de campeonato, causando em alguma ocasião ou outra até mesmo tumulto. 

Sendo assim, Chapecó ia contra o que estava estabelecido. A maior parte dos estados tem suas torcidas apaixonadas pelos times do eixo Rio-São Paulo, até mesmo Santa Catarina tem essa característica, mas não Chapecó… Não o Oeste Catarinense, que hoje é verde branco, mas onde ainda se percebe na mistura das cores, os tons rubros e azulados. 

Figuras públicas em vias públicas

Existem figuras que ficam conhecidas por aparecerem na televisão e no rádio. Outras por uma carreira política, e mais recentemente por terem muitos seguidores nas redes sociais. Mas não existe nenhuma celebridade que tenha um engajamento tão orgânico quanto aquelas com as quais convivemos. Aquelas que, quando se fala no nome, a cabeça consegue projetar não só a imagem, como também alguma situação curiosa. Em Chapecó alguns destes personagens carregam consigo não só a fama, mas o místico. Pessoas que vivem e viviam à margem da sociedade, pelas ruas da cidade e que, pela sua forma de viver, de interagir com os demais, acabaram ganhando notoriedade. Você lembra?

O Pé de Bocha

Francisco Norton ganhou esta alcunha por conta de uma deformidade presente em seus pés. Com uma longa ficha criminal, não era incomum para a polícia flagrá-lo cometendo pequenos furtos pela cidade. Inclusive, diz-se por aí que em certa ocasião Pé de Bocha furtava a casa de uma família… revirou a geladeira, mexeu nos pertences dos proprietários e após um lanche acabou pegando no sono, sendo acordado em berço esplêndido pelos policiais e encaminhado direto para a delegacia. Na época, ele vivia nas proximidades da antiga Banca do Telmo, onde cuidava de carros e fazia pequenos serviços, até chegar o momento de furtar novamente e ser preso. Em 1994, cumprindo prisão condicional, ocupantes de um Opala abordaram Pé de Bocha e dispararam à queima roupa, levando essa figura popular a óbito. 

Foto: Reprodução/ClicRDC

Chocolate

Uma figura afável que vivia no centro de Chapecó. Passava as tardes tomando sua “cachacinha” e interagindo com a população. Pela fácil entrada nas discussões de quem passava pelo centro da cidade, tornou-se uma figura conhecida. Há quem diga que em algumas situações chegava a oferecer segurança para as mulheres que circulavam pela cidade durante a noite, protegendo-as de possíveis malfeitores. 

Foto: Reprodução/ClicRDC

Rambo

No início dos anos 2000 um homem forte, num salto plataforma, com calça apertada e sem camisa circulava pela cidade. Rambo foi talvez o primeiro meme de Chapecó, pois em sua época as câmeras digitais já estavam popularizadas e agora temos acesso a muito conteúdo registrado desta figura. Fotos dele circulando pela cidade com seu carrinho, de uma soneca em um canteiro central ou vídeos dançando no centro. Rambo é a figura mais viva na memória dos Chapecoenses. Fora do eixo central da Chapecó, as informações que temos é de que hoje ele vive recolhido com seus familiares, tratando problemas de saúde.

Foto: Reprodução/ClicRDC

Vaca/Beijo

Se você fosse ao Estádio Índio Condá, certamente encontraria o Vaca. Torcedor da Chapecoense, ele marcava presença em todos os jogos e importunava os torcedores de uma maneira bastante peculiar. Bastava prender a atenção na partida, que sorrateiramente Vaca lhe tascava um beijo e assim virava atração, por vezes muito mais atraente que o próprio jogo. Corriam pelo estádio o Vaca, um pouco mais a frente, perseguido pela sua vítima e com as reações da torcida ao fundo.

Um capítulo à parte – O Arquivo X, de Xapecó

Muito além desses personagens, uma história impressionante, protagonizada por alguém como eu ou você. Como explicar o que é relatado no livro de Nelson Tasca? O contato imediato com seres de outra dimensão, que aconteceu em Chapecó há 36 anos. Desacreditado por muitos, Nelson Tasca descreveu em detalhes sua experiência, sem nunca se contradizer, e carregando uma marca em suas costas.

Em 14 de dezembro de 1983 o corretor de imóveis Antônio Nelson Tasca afirmou que esteve no interior de uma nave alienígena. Ele conduzia sua Brasília ano 1981 em direção à casa onde morava, em Chapecó, por uma rodovia que dá acesso à BR-282, quando se sentiu atraído para uma estrada de terra e obedeceu “a um comando estranho”. Em seu livro, afirmou que parou a alguns metros da rodovia e identificou algo que parecia ser um ônibus de uma viação local. Em seguida, Tasca notou que o veículo não possuía rodas, estava a um metro do solo e apresentava o formato circular, com cerca de 10 janelas. Para observar melhor do que se tratava, aproximou-se do objeto, mas recuou ao sentir ondas de calor que eram emitidas do OVNI (objeto voador não identificado). Logo, na tentativa de voltar ao carro, uma luz de um metro de largura o “pegou” pelos pés e o conduziu até a nave, onde teve contato com pelo menos três seres. Após a experiência, Tasca foi encontrado deitado próximo a BR- 282, a 5 km de onde havia feito o primeiro contato e a 13 km de onde morava. Ele recebeu atendimento no antigo Hospital Santo Antônio, em Chapecó, mas somente em casa percebeu um ferimento que parecia ter sido feito com ferro em brasa. A marca era análoga à letra W. 

Tasca foi entrevistado inúmeras vezes por jornais, emissoras de rádio e também foi investigado por pesquisadores e ufólogos. Em janeiro de 2008 sofreu um acidente e faleceu aos 76 anos, na cidade de Passo Fundo (RS).

Essas figuras mostram que a história e a cultura de Chapecó é mutável. Não é apenas o Desbravador. Não é só o Índio Condá. Não é feita somente por figuras políticas, empreendedores, mas por pessoas simples que vivem a mesma realidade que vivemos. Para saber mais sobre estas personalidades, fica o convite para que você assista o episódio em vídeo, com imagens que podem lhe despertar um sentimento nostálgico. Você também pode ouvir nosso podcast, com conteúdo na íntegra. Nosso trabalho de sound design vai levá-lo à cada situação narrada, a partir  de gatilhos sensoriais e auditivos. Um cuidado especial para que a cultura chapecoense, tradicional ou não, fique registrada para a eternidade.


Confira

Você pode conferir essa matéria através do PodCast e também em Vídeo disponibilizado pelo ClicRDC.


Com apoio SicoobDVAFascecVia Atacadista e Trip Farma, você acompanha os verdadeiros causos e histórias de Chapecó.

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