segunda-feira, julho 6, 2026
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Família de caminhoneiro morto após briga de trânsito organiza manifestação contra liberdade de acusado em Ponte Serrada

"É uma injustiça que dói na alma", diz irmã de Jhonatam após acusado deixar prisão

Arte: ClicRDC

Familiares e amigos do caminhoneiro Jhonatam Junior da Silva Novask, morto a facadas após uma briga de trânsito em 27 de dezembro de 2025, em Ponte Serrada, estão organizando uma manifestação para pedir que o acusado volte a responder ao processo preso. O ato ocorre após a Justiça revogar a prisão preventiva do homem de 65 anos, que agora aguardará em liberdade o julgamento pelo Tribunal do Júri.

A mobilização está marcada para o dia 19 de julho, às 6h30, com concentração em frente ao Madero, em Chapecó, tradicional ponto de encontro de caminhoneiros. A manifestação será pacífica e contará com familiares, amigos, colegas de profissão de Jhonatam e caminhões da empresa CETRIC, onde a vítima trabalhava. Os organizadores convidam a comunidade para participar vestindo camiseta branca.

Segundo a irmã da vítima, Maira Nancy da Silva Novask, a decisão judicial provocou revolta e reacendeu a dor vivida pela família. “Receber a notícia de que o assassino do meu irmão foi solto para aguardar o julgamento em liberdade foi como viver o dia 27 de dezembro de 2025 tudo de novo. A dor de perder ele de forma tão brutal já é insuportável, mas ver a impunidade de perto traz uma sensação de total desamparo e indignação. A nossa família está despedaçada e com medo. Meu irmão era um trabalhador, um caminhoneiro que dedicava a vida à estrada. Ele foi tirado de nós e, enquanto nós carregamos uma pena perpétua de saudade, o responsável pelo crime volta para o conforto de casa. É uma injustiça que dói na alma.” Um perfil no Instagram foi criado como forma de manifestação.

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Sobre o andamento do processo, Maira afirma que a família acompanha a atuação do Ministério Público e espera que sejam adotadas medidas para reverter a decisão. “Sabemos que o Ministério Público tem um papel fundamental e nosso desejo é que haja toda a mobilização possível para recorrer dessa decisão de liberdade. Não vamos ficar parados assistindo a isso. Queremos que a justiça seja feita pelas vias legais e que ele aguarde o julgamento na prisão, que é onde deveria estar.”

Ela também afirma que a mobilização busca impedir que o caso seja esquecido. “O nosso grande objetivo é não deixar que a morte do meu irmão vire apenas mais uma estatística de violência. Queremos chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a lentidão e para as brechas da lei que protegem o criminoso em vez de amparar a família da vítima. Estamos mobilizando também a classe dos motoristas e caminhoneiros, que era a categoria do meu irmão, porque quando um trabalhador da estrada é tirado de nós dessa forma, toda a classe sente o baque. É um pedido por justiça e por segurança para todos.”

Relembre o caso


Jhonatam Junior da Silva Novask, de 30 anos, morreu após ser esfaqueado durante uma discussão de trânsito registrada no pátio de um posto de combustíveis às margens da BR-282, em Ponte Serrada, no dia 27 de dezembro de 2025. Depois do crime, o suspeito fugiu do local e se apresentou à Polícia Civil dias depois, acompanhado de um advogado, quando teve a prisão preventiva decretada.

A investigação concluiu o inquérito e o caso seguiu para a Justiça. Recentemente, a Vara da Comarca de Ponte Serrada revogou a prisão preventiva do acusado, que responderá ao processo em liberdade até o julgamento pelo Tribunal do Júri. Conforme a defesa, imagens de câmeras de segurança sustentam a tese de legítima defesa.

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