Foto: Marina Favero/ClicRDC Foto: Marina Favero/ClicRDC Foto: Marina Favero/ClicRDC Foto: Marina Favero/ClicRDC
Desde fevereiro deste ano, Chapecó está sem um convênio ativo para castração de animais. A situação aconteceu devido a um encerramento do convênio anterior, com uma ONG do município que prestava o serviço desde 2011 para a Prefeitura. Após o vencimento, a Administração Municipal chegou a lançar novos editais em maio – entretanto, não houve inscritos.
De acordo com o diretor de Agricultura de Chapecó, Jonas Bringhenti, dois editais foram lançados – um de hospedagem, no valor de R$ 44 mil ao ano, e outro para a esterilização, no valor de R$ 150 mil. “[…] Está se buscando alternativas junto às clínicas veterinárias, hospitais veterinários, empresas que atuam neste segmento, para ver se há interesse deles de prestar este serviço”, informou Jonas.
Segundo ele, neste momento, a Administração Municipal busca três orçamentos para ver se é possível realizar o serviço com o valor ofertado. O edital prevê 500 castrações (300 cães e 200 gatos, todos fêmeas).
Jonas afirma que em contato com as ONGs, elas informaram que os custos para castração aumentaram – e por isso, não houve o interesse. De acordo com ele, caso as alternativas que a Prefeitura busca junto às entidades e clínicas particulares não se efetive, há a possibilidade de relançamento do edital, com novos recursos. O edital para a hospedagem deve ser relançado no decorrer desta semanal.
Ainda segundo Jonas, a Prefeitura de Chapecó estuda a criação de um Núcleo de Apoio aos Pequenos Animais (NAPA), que terá como objetivo cuidar dos animais especialmente em casos de maus tratos. “Grande parte deste valor será para atender casos de animais de rua, e também para aquelas famílias em situação de vulnerabilidade”, disse.
Situação é acompanhada pelo legislativo
O vereador Wilson Cidrão (PATRIOTA), que tem como bandeira a causa animal, informou que acompanha a situação. Ele, na última sexta-feira (18), reuniu-se com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) e com o secretário de Coordenação de Governo e Gestão, Thiago Etges, para buscar uma solução ao tema. “Tenho plena confiança de que em breve novidades virão”, disse o vereador.
Segundo ele, as principais demandas neste momento são relacionadas ao controle populacional – que são as castrações – e os atendimentos de baixa e média complexidade. “O animal que está na rua não está lá porque quer, ele está lá por uma circunstância. Então, obviamente que a gente tem que fazer este tratamento paliativo em relação aos que estão na rua, mas o foco tem que ser na raiz do problema, que é a procriação desses animais”, afirma.
ONGs e protetores: o que dizem
A protetora de animais Ladenir Ferrugem Ballen atua com coordenação e orientação das produtoras independentes, e trabalha na formalização de uma ONG em Chapecó. Segundo ela, no município, a maior dificuldade que as pessoas que realizam este tipo de trabalho enfrentam é a castração, já que a demanda é muito grande.
Ladenir explica que, atualmente, as cuidadoras custeiam as castrações através da arrecadação de recursos feita através das ONGs, e em alguns casos, contam com a solidariedade de clínicas e veterinários que realizam o serviço de forma gratuita. Segundo ela, para “zerar” ou amenizar a situação dos animais de rua no município, seria necessário a realização de 12 mil castrações ao ano.
Ainda de acordo com Ladenir, desde 2017, ela atua para trazer um ‘castramóvel’, com parceria de uma veterinária, para trazer castrações para Chapecó com o preço social. Ela conta que nestes mutirões de castração, são esterilizados cerca de 746 animais – entre 200 a 250 ao dia.
Já a cuidadora Claudete Michailoff informou que todos os produtores do município resgatam, tratam, e tentam encaminhar os animais para um lar. Segundo ela, entretanto, os animais que não tem perfil buscado pelos adotantes – que normalmente escolhem cachorros ou gatos pequenos – ficam nas residências dos cuidadores. Ela reforça que nem um protetor encaminha para adoção fêmeas sem a castração – que segundo ela, seria um trabalho do município, mas que acaba se tornando demanda destes voluntários.
Claudete conta que através da parceria entre a Prefeitura e a ONG, destinada à realização de castrações, ela não consegue realizar as cirurgias entre os animais cuidados por ela há muito tempo.
“Para nós, esta parceria não acrescenta em nada. É lógico que as poucas castrações que eles fazem ajuda muito, mas não é o ideal. Teria que ter uma castração em massa, um número mais elevado de castrações, pela população que tem em Chapecó de animais de rua”, conta.
Ainda de acordo com ela, para pagar as castrações, as ONGs contam com ajuda da comunidade e organização de arrecadações – como rifas, por exemplo. “Hoje, o que as protetoras estão pedindo em primeiro lugar é uma castração em massa, para pelo menos diminuir os casos de abandono”.
A cuidadora Jussara Mendes relatou que passa 90% do tempo em função dos animais. Ela é voluntária e protetora dos animais abandonados, e ressalta que faz o trabalho por amor, sem ganhar nada com isso. Ela conta que sempre é acionada para resgates de animais, ou para casos de atropelamento, abandono, doações, entre outros.
Neste momento, Jussara fornece abrigo fixo para quinze animais, fora os que estão em lar temporário. Entre os animais que ela atende, há os que estão cegos, idosos ou que têm necessidades especiais. Jussara dedica parte do tempo para arrecadar material reciclável, que posteriormente é vendido e o valor é revertido para as castrações de animais de rua.
“O que nós precisaríamos mesmo é que a Prefeitura fizesse a parte dela e contribuísse, com verba mesmo, para ajudar nas castrações”, afirma. “Também precisaríamos que as pessoas se conscientizassem em relação a importância da castração”, finaliza. Jussara também reforça a importância de um canal de denúncia para abandono, maus tratos e a conscientização da população.