
Gênesis Agelvis mora em Caracas, na Venezuela, com o marido e o filho de 11 anos. Em entrevista exclusiva ao ClicRDC, ela contou como têm sido os dias desde os primeiros terremotos registrados na quarta-feira (24), que atingiram a costa norte do país.
“Aqui em Caracas se sentiu bastante”. Apesar de a região mais afetada ter sido a de La Guaira, cidade onde morava uma amiga de Gênesis, a capital sofre com a destruição deixada pelos abalos sísmicos. Ela conta que o tremor foi sentido primeiro em menor proporção, e acreditava que alguém estaria mexendo na casa próxima à dela. No entanto, quando as louças começaram cair devagar e o barulho pôde ser ouvido em maior tom, Gênesis, o marido e o filho se abraçaram, imaginando que a casa do lado poderia cair em cima da família.
Eles correram para a rua em meio às lágrimas, e, quando se acalmaram, perceberam a dimensão da situação. Sem contato com familiares, a preocupação se direcionou para as outras pessoas que precisavam de ajuda.
Desde quarta-feira, a família não dorme em casa. Com medo de novos abalos sísmicos, se abrigam no carro, onde acreditam que a segurança é maior. Enquanto conversava com a equipe de reportagem do ClicRDC, Gênesis estava na sua casa, onde há internet, no entanto ainda não há sinal de luz ou água.
A preocupação com a amiga
La Guardia é a cidade mais afetada da Venezuela. Considerada o epicentro da tragédia, a região teve dezenas de edifícios residenciais, hotéis e estabelecimentos comerciais reduzidos a escombros. Ruas permanecem bloqueadas por destroços, milhares de moradores perderam suas casas e equipes de resgate seguem trabalhando contra o tempo na busca por sobreviventes. Além dos danos à infraestrutura, hospitais operam acima da capacidade e parte da população enfrenta dificuldades para acessar água, alimentos e atendimento médico.
É local onde Gênesis tem uma amiga muito próxima, que perdeu o filho de nove anos, a mãe e o irmão. A amiga enviou um áudio contando que tinha deixado o filho com a avó e o tio, e saído para trabalhar. Quando retornou para casa em meio ao desespero, o prédio em que morava estava no chão. Ela ainda não encontrou a família em meio aos escombros. Gênesis se preocupa com o estado da amiga, mas não conseguiu localizá-la devido a cinemática da cidade, onde não se reconhecem as ruas estão irreconhecíveis.
A entrevista contou com a tradução e apoio de Alex Agelvis, irmão de Gênesis e morador de Chapecó há oito anos.







