
O advogado, em seu mundo em que ele ocupa a dificílima tarefa de representar os desejos e anseios daqueles que lhe procuram, mesmo sem prometer nada mais do que o melhor dos trabalhos de meio para se atingir um fim, vivencia e passa por uma série de dilemas.
Quantas vezes não me deparei pensando: “Se eu aceitar esse caso que bate nas minhas portas, o que a sociedade pensaria de mim? Será que esse compromisso quando aceito, não faria com que outros clientes, potencialmente, a priori, com maior potencial econômico que aquele, não iriam se bastecer de péssimas referências ao meu respeito, como se eu estivesse sendo julgado junto com meu cliente?”
Resposta por certo que não deveria vincular dessa forma! Que garantia teria eu, que essas outras tantas pessoas pensariam em mim quando precisassem? Porque eu deixaria de valorizar aquele que já me procurou!?
Mas isso eu já me perguntei: não é tão lógico Arthur? Por óbvio que não!
E me perguntei novamente: Ah, mas você pensa que prevalece o provérbio “me diga com quem andas que te direi quem és”? E respondi: Não também!
Mas a vida me ensinou que para ser advogado eu tenho que aceitar os “julgamentos e as penas” que acabo me expondo com certa plenitude, senão vejamos: sabem aquela situação que abala uma sociedade, seja pela crueldade, seja por quem é a pessoa da vítima e, até mesmo por quem é o acusado?
Pois é! Ela já chegou até mim. Parei e pensei, pego ou não pego o caso, encaro ou fujo da situação, resolvo dar a a cara a tapas? É óbvio que eu encarei.
Para que fique ainda mais claro, preciso retratar um desses casos que eu disse sim, lembro como se fosse hoje, me procuraram e eu com respeito que faz parte da minha postura participei de toda coleta probatória e quando se aproximou a data do julgamento, as teses estavam alinhadas, mas vivia e tratava uma depressão em meio a minha vida pessoal! Nada que abalasse meu trabalho!
Mas como esquecer o que aconteceu logo após uma sessão com minha psicóloga, fui surpreendido por ela: ela me refutou como paciente e sabem por que? Porque ela soube quem eu defenderia, ela me julgou pelo meu trabalho!
Foi então que me perguntei: será que ela me daria acesso aos clientes dela para eu saber quem é ela pelo perfil dos seus clientes? Não, eu não queria, mas seria o mínimo que teria direito! Esbravejei! Me senti julgado! Afinal deixei de ser o profissional e passei a ser a extensão de quem eu representava.
Nesse momento voltei minha consciência, respirei e pensei: Estou diante de sinais que me mostravam que estava diante de alguém que se deixou levar por uma crença popular e não pelo senso cognitivo que deveria nela ser aguçado para compreender o prossionalismo do advogado, mas isso já não era tão anormal, infelizmente!
Por outro lado, não foi uma, mas foram tantas as vezes que nas demandas da vida, pessoas foram vencidas pelo advogado e a ele confiaram outros tantos serviços ao assimilar a “derrota” diante do sério trabalho profissional, e passaram a confiar seus problemas a quem os venceu.
Tudo isso, meus queridos leitores deve ser utilizado para entender que o trabalho desempenhado por um profissional da advocacia que representa interesses de terceiros, com respeito as suas prerrogativas, pode e deve ser um trunfo na busca dos seus direitos.
Fica a crônica, que de ficção não tem nada, como um exemplo da altivez de quem exerce a advocacia com orgulho para o outro, mas que também é pessoa que precisa lutar contra seus anseios.