
Produtos como vinhos, queijos, mel, frutas e embutidos carregam características que vão muito além do sabor. Em Santa Catarina, 12 produtos possuem Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), certificação que relaciona a qualidade, a reputação ou as características de um produto ao território onde ele é produzido.
A Indicação Geográfica reconhece justamente essa ligação. Clima, solo, relevo e vegetação podem influenciar as características de um produto, assim como os conhecimentos e as técnicas desenvolvidas pelos produtores ao longo das gerações.
No Brasil, o registro é concedido pelo INPI e representa uma forma de proteção e valorização coletiva. Além de diferenciar os produtos no mercado, a certificação pode fortalecer produtores locais, estimular o turismo e a gastronomia e ajudar na preservação de tradições.
A Indicação Geográfica possui duas modalidades. A Indicação de Procedência (IP) é concedida quando uma região se torna conhecida pela produção de determinado produto ou serviço. Já a Denominação de Origem (DO) exige uma relação direta entre as características do produto e os fatores naturais e humanos do território.
O processo para obter o reconhecimento começa com a organização dos produtores. O Sebrae/SC atua na identificação de potenciais Indicações Geográficas e auxilia na estruturação do processo, que envolve o levantamento da história e da notoriedade do produto, além da delimitação da área e das regras de produção.
Instituições como a Epagri, universidades e órgãos públicos também podem participar desse trabalho. O pedido é apresentado por uma entidade representativa dos produtores e encaminhado ao INPI.
Para o gerente de Desenvolvimento Territorial do Sebrae/SC, Alan Claumann, a certificação contribui para preservar o patrimônio cultural e, ao mesmo tempo, criar oportunidades econômicas para as comunidades produtoras.
Entre os efeitos estão o fortalecimento dos pequenos produtores, a ampliação de mercados e o estímulo ao turismo e à gastronomia relacionados ao território.
Em Santa Catarina, as 12 Indicações Geográficas reconhecidas até 2026 abrangem diferentes regiões e cadeias produtivas. Estão na lista a Uva Goethe, a Banana da Região de Corupá, os Vinhos de Altitude de Santa Catarina, o Mel de Melato da Bracatinga, o Queijo Artesanal Serrano, a Maçã Fuji da Região de São Joaquim, a Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense, a Linguiça Blumenau, a Cachaça de Luiz Alves, a Banana de Luiz Alves, o Frescal da Região de São Joaquim e o Alho Roxo do Planalto Catarinense.
A primeira Indicação Geográfica do estado foi concedida aos Vales da Uva Goethe, no Sul catarinense. O reconhecimento abriu caminho para outras iniciativas e ajudou a ampliar a valorização de produtos associados às diferentes regiões de Santa Catarina.
Para o enólogo e pesquisador da Epagri/SC, Stevan Grutzmann Arcari, a Indicação Geográfica transforma a origem em um diferencial competitivo. O reconhecimento também ajuda a estabelecer padrões de qualidade e a organizar as cadeias produtivas, garantindo maior identidade aos produtos.
Para o consumidor, a identificação de uma IG permite reconhecer a procedência e a autenticidade de um produto. Para quem produz, representa uma ferramenta de valorização do território e da própria história.
A Agência e a TV Alesc prepararam uma série de reportagens sobre as Indicações Geográficas de Santa Catarina. A primeira parada será nos Vales da Uva Goethe, no Sul do estado, região que recebeu a primeira certificação catarinense e que mantém uma tradição ligada à produção de uvas e vinhos.
Fonte: ALESC





