
⚡ Em Resumo:
- O que é: Especialistas alertam que um El Niño forte ou muito forte pode impactar a produção agrícola brasileira na safra 2026/27.
- Números principais: Modelos indicam aquecimento de até 2°C no Oceano Pacífico; perdas agrícolas podem chegar a 10%; cerca de 3 milhões de hectares de soja precisaram de replantio em 2023.
- Onde: Os impactos variam entre Centro-Oeste, Norte, Sudeste e Sul do Brasil.
- Quem afeta: Produtores de soja, milho, café, laranja e demais culturas dependentes das condições climáticas.
O que preocupa os especialistas sobre o El Niño?
O Brasil pode enfrentar um novo episódio de El Niño durante o início do plantio da safra 2026/27. Embora a intensidade definitiva ainda dependa das próximas análises climáticas, os principais modelos internacionais indicam uma alta probabilidade de que o fenômeno evolua para a categoria de muito forte entre setembro e novembro.
O alerta foi apresentado pelo pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV Agro, Eduardo Assad, durante um encontro promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).
Como o fenômeno pode afetar a produção agrícola?
Segundo os especialistas, os maiores riscos estão concentrados justamente no período de plantio das principais culturas de verão. A combinação de temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produtividade.
No Centro-Oeste e em parte da Região Norte, a preocupação é com o calor intenso e a falta de chuva, que podem prejudicar principalmente a soja e o milho. Já no Sudeste, culturas permanentes como café e laranja aparecem entre as mais vulneráveis.
No Sul do Brasil, o cenário tende a ser diferente. A previsão aponta maior volume de chuva e temperaturas acima da média, condições que também podem provocar perdas nas lavouras.
Quais prejuízos já foram registrados em eventos anteriores?
De acordo com Eduardo Assad, episódios recentes de El Niño mostraram impactos importantes na agricultura brasileira. Durante o evento de 2024/25, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontaram perdas de até 10% na produção nacional em algumas culturas.
No caso do café, por exemplo, temperaturas elevadas e falta de água durante a florada podem provocar o abortamento das flores, reduzindo a produção. A citricultura também acompanha o cenário com preocupação devido aos riscos para os pomares de laranja.
O replantio pode aumentar os custos da safra?
Sim. O pesquisador da FGV Agro Guilherme Soria Bastos Filho destaca que um dos principais desafios será a irregularidade das chuvas no início do plantio da soja.
Caso as precipitações ocorram em volume insuficiente ou de forma concentrada, muitos produtores poderão ser obrigados a refazer o plantio, elevando os custos da produção e atrasando toda a janela agrícola.
Em 2023, aproximadamente três milhões de hectares de soja precisaram ser replantados em diferentes regiões do país por causa das condições climáticas.
Quais culturas podem ser mais afetadas?
Entre as culturas que inspiram maior preocupação estão:
- Soja;
- Milho;
- Café;
- Laranja.
Os especialistas ressaltam, no entanto, que os impactos não devem ocorrer de forma uniforme. Enquanto algumas regiões podem registrar perdas, outras poderão ter ganhos de produtividade, reduzindo parte dos prejuízos em nível nacional.
Como os produtores podem reduzir os impactos?
Os pesquisadores defendem o fortalecimento do seguro rural como uma das principais ferramentas para diminuir os prejuízos financeiros provocados por eventos climáticos extremos.
Além disso, destacam a importância da ampliação das práticas previstas no Plano ABC, voltadas à agricultura de baixo carbono. Segundo Eduardo Assad, produtores que adotam técnicas conservacionistas, recuperação de áreas degradadas e sistemas integrados de produção registraram perdas significativamente menores durante eventos climáticos recentes.
Para os especialistas, independentemente da intensidade do próximo El Niño, a agricultura brasileira precisará investir cada vez mais em adaptação para enfrentar eventos climáticos extremos que vêm se tornando mais frequentes.
Fonte: CNN






