
O tornado que atingiu Chapecó na manhã de quarta-feira (4) provocou estragos em diferentes regiões do município e mobilizou equipes da Prefeitura e da Defesa Civil. Até a quinta-feira (5), foram registradas 2.478 ocorrências atendidas ou em atendimento, principalmente relacionadas a destelhamentos, quedas de árvores, danos em edificações e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Conforme o relatório técnico da Diretoria de Proteção e Defesa Civil, a maior rajada de vento registrada no município chegou a 126,4 km/h. Na estação de monitoramento de Água Amarela, foram registrados 106,7 km/h por volta das 10h. O fenômeno também provocou danos em estruturas públicas, atingindo unidades de saúde e escolas da rede municipal.
O levantamento aponta que 42.508 unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica ao final da quarta-feira. Na manhã de quinta-feira, esse número havia caído para 11.755. A redução representa o restabelecimento do fornecimento para aproximadamente 72% das unidades afetadas.
Como o tornado se formou e atingiu Chapecó?
Segundo a Defesa Civil, a ocorrência foi favorecida pela combinação de um centro de baixa pressão sobre o Paraguai, um cavado em níveis médios da atmosfera e o fluxo da Corrente de Jato Subtropical em altitude. Esses fatores, associados à forte instabilidade, contribuíram para a formação de um Complexo Convectivo de Mesoescala sobre o centro-sul da América do Sul.
O sistema começou a se organizar na tarde de terça-feira (3) e provocou tempestades severas, com granizo de grande porte, ventos intensos e elevada atividade elétrica. Entre a manhã de terça e o início da tarde de quarta-feira, foram registradas mais de 100 mil descargas atmosféricas na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Em Chapecó, o monitoramento começou às 6h de quarta-feira. Às 10h18, a Defesa Civil registrou uma rajada de 127,8 km/h em Palmitos e recebeu novo aviso de severidade em deslocamento para o município. Às 10h31, todos os canhões do Sistema Antigranizo foram acionados.
Por onde o tornado passou em Chapecó?
As vistorias realizadas pela Defesa Civil identificaram danos característicos de ventos rotacionais nos bairros Quedas do Palmital, Palmital, Seminário e Universitário. Entre os sinais observados estavam telhas e coberturas metálicas arrancadas, enroladas e retorcidas, padrão compatível com a ocorrência de tornado.
O mapeamento aponta que o fenômeno tocou o solo inicialmente na porção nordeste do município. Depois, seguiu no sentido nordeste-sudoeste, passou pela região sul da área urbana, a sudeste do Centro, cruzou a BR-480 e se dissipou na área rural, na parte sudoeste de Chapecó.
A classificação técnica registrada foi de Tempestade Local/Convectiva – Tornados, conforme o código COBRADE 1.3.2.1.1.
Quantas ocorrências foram registradas e como está o fornecimento de energia?
Até a atualização de quinta-feira, a Defesa Civil contabilizava 2.478 ocorrências atendidas ou em atendimento. Os principais registros envolvem destelhamentos, danos em residências e edificações, árvores caídas sobre vias e redes elétricas, interrupção de energia e obstrução de ruas.
No fim da quarta-feira, 42.508 unidades consumidoras estavam sem energia elétrica em Chapecó. Na manhã seguinte, o número passou para 11.755, indicando que cerca de 72% das unidades afetadas já tinham o fornecimento restabelecido.
O levantamento completo dos danos humanos, materiais, ambientais e dos prejuízos econômicos ainda está em andamento. Os dados serão consolidados no Formulário de Informações do Desastre, no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
Como ficou a situação das unidades de saúde?
No dia do tornado, 14 unidades de saúde e o almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde foram afetados por danos estruturais, alagamentos, destelhamentos e falta de energia elétrica. Três unidades tiveram o atendimento suspenso: CSF Quedas, CSF Seminário e CSF Sul.
Na atualização de quinta-feira (5), 13 unidades ainda apresentavam danos que exigiam intervenções. Entre os problemas identificados estão alagamentos, goteiras, queda de forros e estruturas metálicas, danos em portões e falta de energia elétrica.
O CSF Seminário permanecia fechado. As demais unidades atingidas estavam em processo de avaliação e reparos. Os serviços de urgência e emergência foram mantidos no PA Efapi e na UPA Sete de Setembro, que funcionou com o auxílio de gerador.
Quantas escolas foram atingidas pelo tornado?
O levantamento da Prefeitura identificou danos em 41 unidades de ensino e estruturas da rede municipal. Entre os casos mais graves estão a EBM Realeza, que teve destelhamento total da escola e do ginásio, e o CEIM Mundo Encantado, também com destelhamento total.
A EBM Mirian Meyer apresentou destelhamento em quase todas as salas do piso superior, com problemas estruturais expostos. Já o CEIM Pequeno Pensador teve destelhamento em quase todas as salas da parte da frente.
Outras unidades registraram danos em telhados, ginásios, cercamentos, paredes, salas de aula e instalações elétricas. O relatório também aponta quedas de árvores e infiltrações em diferentes estruturas.
Quais medidas foram adotadas pela Prefeitura?
Além do monitoramento meteorológico e do atendimento às ocorrências, a Prefeitura realizou vistorias nas áreas atingidas, mapeou a trajetória do tornado e levantou os danos nas unidades de saúde e de ensino.
Para atender moradores que tiveram imóveis destelhados, foram distribuídos 54.600 metros quadrados de lona, o equivalente a 91 rolos de 600 metros quadrados cada.
A Diretoria de Proteção e Defesa Civil também emitiu o Parecer Técnico nº 1006/2026, favorável à decretação de Situação de Emergência. O órgão solicitou ao prefeito a decretação da medida em todo o território municipal, pelo período de 180 dias. O desastre foi registrado no sistema federal S2iD.
Na conclusão do relatório, a Defesa Civil classifica o episódio como um desastre de Nível II, considerando a intensidade do fenômeno, o volume de ocorrências e o comprometimento parcial da capacidade de resposta do Poder Público Municipal.
Há previsão de novas tempestades em Chapecó?
A modelagem numérica acompanhada pela Defesa Civil indica a possibilidade de uma nova instabilidade, com potencial de severidade, para a madrugada e a manhã de sábado (7).
O órgão informou que segue monitorando as condições meteorológicas e poderá emitir novos avisos caso seja necessário.







