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Santa Catarina transporta sangue raro pela primeira vez na cabine de avião comercial

Bolsa com tipo sanguíneo raro saiu de Florianópolis e chegou a um paciente em Juiz de Fora (MG). Procedimento reduz o tempo de transporte em situações de emergência

Foto: Marco Favero / Arquivo / SecomGOVSC

Santa Catarina realizou, pela primeira vez, o transporte de uma bolsa de sangue raro na cabine de um avião comercial. A operação ocorreu em outubro e permitiu que uma bolsa com características sanguíneas específicas chegasse a um paciente em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A ação foi coordenada pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde. O sangue foi transportado em 10 de outubro, em uma iniciativa que marcou a terceira operação desse tipo realizada no Brasil.

Como foi realizado o transporte de sangue raro em Santa Catarina?

O Hemosc foi acionado para encontrar sangue com fenótipo Js(b-), considerado muito raro, para atender um paciente de Juiz de Fora (MG). Após receber a solicitação, a equipe entrou em contato com o único doador dessa tipagem registrado em Santa Catarina, residente em Joinville.

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O doador concordou em realizar a coleta no dia seguinte. A hemorrede catarinense priorizou os testes e as validações necessários para liberar a bolsa de sangue, que foi transportada de avião e recebida pelo paciente em 10 de outubro.

Por que o sangue raro foi transportado na cabine do avião?

A possibilidade de transportar sangue raro na cabine de aeronaves comerciais surgiu após a atualização de um termo de cooperação técnica relacionado ao transporte de órgãos, que passou a incluir esse tipo de material em emergências do Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes da mudança, as bolsas de sangue eram enviadas como carga, o que poderia aumentar o tempo de deslocamento e o risco de atrasos. Com o transporte na cabine, a logística pode ser agilizada para pacientes que precisam de transfusões urgentes.

O procedimento é realizado gratuitamente pelas companhias aéreas, com a bolsa acondicionada em embalagem apropriada e controle rigoroso de temperatura, entre 1°C e 10°C.

Quantos transportes de sangue raro já foram realizados no Brasil?

A operação de Santa Catarina foi a terceira do tipo no país. O primeiro transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial ocorreu em 12 de setembro, de São Paulo para o Piauí. O segundo foi realizado em 9 de outubro, do Ceará para Juiz de Fora (MG).

O terceiro deslocamento partiu de Florianópolis, em Santa Catarina, no dia 10 de outubro, para atender o paciente mineiro.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Esse número se refere ao transporte de órgãos e tecidos, não exclusivamente ao de sangue raro.

O que é sangue raro e por que ele é difícil de encontrar?

Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. A compatibilidade depende de características específicas das hemácias, incluindo antígenos que precisam ser identificados para garantir a segurança da transfusão.

A Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue reconhece 49 sistemas de grupos sanguíneos, 398 antígenos e 2.001 variações genéticas. Essa diversidade explica por que encontrar um doador compatível pode ser difícil em determinadas situações.

No caso atendido pelo Hemosc, o paciente precisava de sangue com fenótipo Js(b-), uma característica incomum que exigiu a mobilização de um doador específico.

Quantos doadores de sangue raro estão cadastrados no Brasil?

O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), criado em 2013, reúne atualmente 2.032 doadores registrados. Segundo os dados divulgados pelo Governo de Santa Catarina, mais de 300 pacientes já foram atendidos por meio da iniciativa.

Na solicitação que motivou o transporte para Minas Gerais, o cadastro possuía dez doadores com o tipo sanguíneo necessário, mas apenas quatro tinham a tipagem devidamente confirmada.

O Hemosc participa do Projeto Sangue Raro, coordenado pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, e atua na identificação de doadores e no envio e recebimento de bolsas de concentrados de hemácias raras.

Qual foi a participação do Hemosc na operação?

O Hemosc coordenou a identificação do doador em Santa Catarina, a coleta, os procedimentos de validação e a liberação da bolsa para o transporte aéreo. A operação contou com a mobilização da hemorrede estadual para cumprir os prazos necessários ao atendimento do paciente.

A diretora-geral do Hemosc, Patrícia Carsten, destacou a rapidez da resposta e o compromisso da instituição com pacientes que precisam de transfusões, inclusive fora de Santa Catarina.

O Hemosc é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde e administrado pela organização social FAHECE.

Fonte: SECOM

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