
Quanto o Brasil deve produzir de ovos em 2026?
A produção brasileira de ovos deve crescer 5% em 2026, chegando a aproximadamente 56 bilhões de unidades. A estimativa foi divulgada pelo Instituto Ovos Brasil nesta sexta-feira (9), Dia Mundial do Ovo. Apesar da expansão, o setor enfrenta um período de consumo mais moderado, com a produção avançando em ritmo superior à demanda.
Segundo o presidente do instituto, Edival Veras, o ano tem sido marcado por desafios, mas dentro da normalidade para a atividade. Quando a oferta supera o consumo, os produtores precisam ajustar o volume para evitar excedentes. A expectativa é que o mercado encontre equilíbrio ao longo do ano, acompanhando as variações da demanda.
Quais estados lideram a produção de ovos no país?
São Paulo ocupa a primeira posição no ranking nacional de produção de ovos, seguido por Minas Gerais e Espírito Santo. Pernambuco também aparece entre os principais produtores. De acordo com o Instituto Ovos Brasil, a distribuição da produção entre os estados permanece relativamente estável, com crescimento acompanhando o consumo regional.
Atualmente, o Brasil está entre os maiores produtores mundiais, ocupando a quarta posição. O consumo também avançou de forma expressiva nas últimas décadas. Há cerca de 17 anos, quando o Instituto Ovos Brasil foi criado, os brasileiros consumiam aproximadamente 120 ovos por pessoa ao ano. Hoje, a média está pouco acima de 300 unidades.
Por que o consumo de ovos perdeu ritmo?
Embora o consumo tenha aumentado ao longo dos anos, o ritmo de crescimento diminuiu em 2026. A projeção do Instituto Ovos Brasil é de que a média nacional fique próxima de 300 ovos por pessoa neste ano. A produção, por sua vez, deve crescer cerca de 5% em comparação com 2025.
Entre os fatores que sustentam a procura estão a praticidade, a versatilidade e o preço acessível do alimento. A maior valorização das proteínas na alimentação também contribui para a demanda. Segundo Edival Veras, a busca por alimentos ricos em proteína, inclusive entre pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento, ajuda a manter o interesse pelo produto.
Como estão as exportações brasileiras de ovos?
As exportações ainda representam uma parcela pequena da produção nacional. Atualmente, o Brasil vende ovos para mais de 17 países, e o setor trabalha com a perspectiva de ampliar a participação do mercado externo de aproximadamente 0,5% para 2% da produção. A condição sanitária brasileira, que permanece livre da gripe aviária, é apontada pelo instituto como um fator que favorece o interesse de compradores internacionais.
Apesar disso, os embarques acumulados de janeiro a setembro de 2026 recuaram. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o país exportou 22,669 mil toneladas no período, queda de 34,1% em relação às 34,378 mil toneladas registradas nos mesmos meses de 2025. A receita também diminuiu 38,4%, passando de US$ 80,832 milhões para US$ 49,769 milhões.
Quantos empregos o setor de ovos gera no Brasil?
A cadeia produtiva de ovos emprega entre 600 mil e 700 mil pessoas no país, segundo o Instituto Ovos Brasil. Um dos desafios apontados pelo setor é a dificuldade de contratar trabalhadores para as granjas, muitas delas instaladas em áreas rurais, onde a oferta de mão de obra tem diminuído com a migração para os centros urbanos.
Para enfrentar esse cenário, as empresas vêm investindo em automação e tecnologia. A modernização das instalações também exige profissionais mais qualificados para operar equipamentos e acompanhar os processos de produção.
Qual é a expectativa para a produção de ovos em 2027?
O Instituto Ovos Brasil avalia que ainda há espaço para ampliar o consumo nacional e, consequentemente, a produção. A expectativa é de continuidade do crescimento em 2027, embora o setor ainda não tenha divulgado uma estimativa fechada para o próximo ano.
A entidade destaca que o consumo brasileiro está próximo de um ovo por dia por pessoa, enquanto referências nutricionais frequentemente citadas pelo setor apontam potencial para uma ingestão maior. A evolução da demanda, no entanto, dependerá das condições do mercado e da capacidade dos produtores de ajustar a oferta ao consumo.







