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Enquanto a Chapecoense corre grande risco na Série A, o Criciúma está na briga pelo acesso na Série B

Foto: Divulgação

O futebol catarinense é um dos mais resilientes do país, e nos últimos tempos tem sido normal ver ao menos um time do estado na primeira divisão nacional. Foi assim na época em que o Figueirense frequentava a elite e continua sendo com clubes como o Avaí, que alterna participações entre as Séries A e B.

Na temporada atual, temos a Chapecoense na primeira divisão e o Criciúma lutando pelo acesso na segunda, divisão em que também está o Avaí, que briga para não cair para a Série C. Chape e Criciúma, porém, vivem situações muito diferentes, como veremos a seguir.

Na Série A, a situação da Chapecoense é complicada

O Verdão do Oeste vive uma fase muito complicada e é o lanterna da primeira divisão, a uma grande distância da primeira equipe fora da zona de rebaixamento. O time até consegue um resultado surpreendente de vez em quando, como a virada sobre o Corinthians na Neo Química Arena, sua primeira vitória fora de casa no campeonato, mas ainda se trata de uma equipe bastante frágil.

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Fato é que, mesmo com o acesso conquistado na temporada passada, o clube acumula erros administrativos desde o acidente aéreo de 2016, que vitimou a maior parte do elenco. Na época, o clube perdeu a chance de fazer uma reconstrução mais ambiciosa, inclusive depois de jogadores de renome internacional terem se oferecido publicamente para ajudar.

A partir daí, o rebaixamento complicou a situação do clube e diminuiu as receitas. Cabe lembrar também que a Chapecoense não está entre os clubes de maior torcida do país, o que dificulta ainda mais o trabalho de montar uma equipe forte.

A fragilidade que o time tem mostrado na Série A é tão grande que pode ser mais benéfico já planejar a próxima temporada na Série B, aproveitando o que for possível do elenco atual, o que também deve ser uma tarefa um tanto quanto complicada.

Isso porque o formato da segunda divisão foi modificado: agora, apenas os dois primeiros colocados têm vaga garantida na Série A, enquanto os times que terminarem do terceiro ao sexto lugar disputam um playoff pelas outras duas vagas.

Isso já seria um motivo bem forte para que a Chape buscasse a permanência na primeira divisão. Mas essa é uma tarefa bastante difícil, já que o orçamento do clube é um dos mais modestos da Série A e o rendimento mostrado até aqui não permite sonhar muito com isso.

A situação do Criciúma na Série B

O Tigre, por sua vez, liderou a Série B durante boa parte da temporada e terminou o primeiro turno na ponta, mas perdeu terreno na reta final. Com nove rodadas pela frente, o campeonato segue bastante equilibrado, e tanto as vagas de acesso direto quanto as do playoff continuam em aberto.

O Criciúma está no meio dessa disputa e, pelas projeções, tem boas chances de ao menos chegar aos playoffs. Mesmo assim, essa é uma posição perigosa, já que um mata-mata tem alto grau de incerteza, apesar de também adicionar muita emoção.

Nesta reta final, a briga pelo G2 e pelas vagas no playoff muda de figura a cada rodada, e o mesmo vale para a luta contra o rebaixamento, na qual o Avaí está envolvido. Para quem acompanha a competição jogo a jogo, as dicas de apostas para a Série B analisam cada partida da rodada. Numa segundona tão equilibrada, esse tipo de leitura ajuda a entender por que o favoritismo na tabela nem sempre se confirma em campo.

Além disso, não faz tanto tempo que o Carvoeiro disputou a Série A. Em 2024, o time voltou à elite após o acesso conquistado em 2023, mas acabou rebaixado logo em seguida.

Assim, nesta temporada é importante conseguir o acesso, mas também é preciso pensar no futuro. A primeira divisão é um ambiente bastante hostil, e o time precisa se preparar não apenas para disputá-la, caso suba, mas para permanecer nela por mais de uma temporada.

Uma tendência incômoda

O cenário do Avaí, que muitas vezes alterna participações entre as Séries A e B, tem ficado cada vez mais comum entre outros times de Santa Catarina. É bem possível que estejamos vendo isso acontecer com a Chapecoense nesta temporada, assim como aconteceu com o próprio Criciúma em 2024.

É bem verdade que os times catarinenses, por si só, não têm poder econômico suficiente para disputar com as principais equipes do país, mas olhar para outros modelos pode ser interessante.

Bahia e Bragantino, por exemplo, apostam em modelos de clube-empresa bem estruturados, o Bahia como SAF e o Bragantino ligado à Red Bull, e têm conseguido manter um bom nível de competitividade na Série A. Do outro lado, o Athletico-PR voltou à primeira divisão nesta temporada e, mesmo com um modelo associativo, é um clube habituado a frequentar a elite.

Mais recentemente, tivemos o caso do Mirassol, com uma ascensão meteórica, mas que agora também luta pela permanência na elite após sua primeira participação numa Libertadores. Já o Vitória tem resistido bravamente depois de também voltar ao primeiro escalão nacional.

Assim, uma SAF bem montada poderia ser muito benéfica a esses clubes. Mas também é possível montar um time mais robusto mesmo sem tantos recursos, especialmente porque, ao menos num primeiro momento, equipes como essas podem se beneficiar de um calendário mais enxuto, sem competições internacionais.

A diferença do quadro atual para os dois times

No momento, a maior diferença entre esses dois times é que 2027 parece mais certo para a Chapecoense, com uma participação na Série B, o que de certa forma pode facilitar o planejamento do clube. A chance matemática de permanecer na elite ainda existe, mas é realmente muito baixa.

Já o Criciúma ainda vê a participação na primeira divisão do próximo ano como algo muito incerto. Dado o grau de competitividade da Série B, mesmo no formato antigo seria impossível dizer que o time tem o acesso garantido a esta altura, o que torna qualquer previsão mais difícil.

No momento, o Tigre precisa manter o foco para tentar buscar uma das duas vagas diretas, uma missão que certamente será muito trabalhosa.

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