
O que é celebrado no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência?
O dia 21 de setembro marca o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data chama atenção para a garantia de direitos, inclusão e combate ao capacitismo, termo usado para definir atitudes que subestimam ou discriminam pessoas com deficiência.
Entre as histórias que ajudam a dar visibilidade ao tema estão as de um fotógrafo cego, uma estilista, uma professora de educação física cadeirante e uma atleta surda. Cada um encontrou maneiras próprias de desenvolver seu trabalho, sua criatividade e suas relações com o mundo.
Como um fotógrafo cego transformou a fotografia em forma de expressão?
Luciano Ambrósio, de 57 anos, perdeu a visão aos 24 anos. Morador de Ceilândia, no Distrito Federal, ele descobriu a fotografia há cerca de dez anos e utiliza uma câmera com apoio de recursos tecnológicos.
Para fotografar, Luciano observa o ambiente por meio de elementos como textura do chão, inclinação do terreno e sons ao redor. Também utiliza o celular para receber descrições do que está diante da câmera e, a partir dessas informações, decide o momento do clique.
O fotógrafo prepara ainda o primeiro livro, Meu olhar, previsto para novembro. A publicação independente terá 120 páginas, com imagens e 100 poesias.

Como o capacitismo aparece no cotidiano?
A experiência de Luciano também mostra situações em que pessoas com deficiência são tratadas como se não pudessem tomar decisões por conta própria.
A esposa dele, Edna Teodoro, contou que já presenciou uma situação em que uma atendente de shopping perguntou a ela o que Luciano gostaria de consumir, em vez de falar diretamente com ele. Para Edna, o episódio é um exemplo de como o capacitismo pode aparecer em situações comuns do dia a dia.
Como uma estilista transformou a própria história em manifesto?
A estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos, vive em São Paulo e trabalha com moda. Segundo ela, ataques sofridos na internet afetaram sua atividade profissional e resultaram em cancelamentos e perda de contratos.
Em 12 anos de trabalho, Juliana produziu mais de 2.300 vestidos. De acordo com os dados apresentados por ela, foram 678 vestidos em 2024, 68 em 2025 e 28 contratos fechados até o momento em 2026.
Nesta segunda-feira (21), ela pretende apresentar um vestido como manifesto contra o capacitismo nas redes sociais. A peça terá uma intervenção artística com 200 comentários ofensivos que, segundo ela, foram registrados nos últimos dois anos.

Como uma professora cadeirante trabalha a inclusão dentro da escola?
Carolina Belfort, de 40 anos, é professora de educação física no Riacho Fundo, no Distrito Federal. Cadeirante, ela estimula os alunos a praticarem esportes e dança.
Desde o primeiro dia de aula, Carolina abre espaço para que os estudantes façam perguntas sobre sua deficiência. Ela perdeu o movimento das pernas ainda na infância após um tiro acidental dentro de casa.
A professora também relembra que, durante sua própria trajetória escolar, enfrentou dificuldades para participar das atividades. Segundo ela, professores não sabiam como orientá-la e tinham receio de que pudesse se machucar.

Como o esporte mudou a vida de uma atleta surda?
A natação passou a ter um papel cada vez maior na vida de Daniela Francescutti, de 56 anos. Funcionária pública e arquivista de Brasília, ela é atleta surda e participa de competições na categoria master.
Daniela começou a levar a modalidade mais a sério em 2007. Em 2013, passou também a competir em águas abertas. Desde 2021, representa o Distrito Federal em competições nacionais de surdos.
Em 2026, ela participou do Open Panamericano em Guaiaquil, no Equador, e voltou para o Brasil com três medalhas. A delegação brasileira conquistou 24 medalhas na competição.
Para Daniela, a natação também representa um espaço de tranquilidade e bem-estar.

Por que o combate ao capacitismo depende de informação?
A secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Isadora Nascimento, defende que o Brasil precisa ampliar o conhecimento sobre o capacitismo.
Segundo ela, muitas pessoas reproduzem comportamentos capacitistas sem perceber. Por isso, campanhas de conscientização e ações nas escolas podem ajudar a levar o tema para situações do cotidiano.
Isadora também destaca que diferentes características sociais podem se sobrepor e aumentar as dificuldades enfrentadas por uma pessoa com deficiência. Para ela, melhorar o mapeamento dessas populações é necessário para ampliar políticas públicas de inclusão.
Fonte: Agência Brasil







