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Urna eletrônica completa 30 anos: conheça as fraudes que marcaram a era do voto em papel

Voto formiguinha, urna emprenhada, mão mágica, bico de pena e mapismo eram práticas usadas para manipular eleições antes da votação eletrônica.


A urna eletrônica brasileira completa 30 anos em 2026. Utilizado em larga escala pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, o sistema foi desenvolvido para reduzir problemas e fraudes que ocorriam durante as votações e apurações feitas em cédulas de papel.

Antes da mudança, eleições poderiam levar dias ou até semanas para terem os resultados conhecidos. Além da demora, havia registros de rasuras, erros no preenchimento das cédulas e diferentes formas de manipulação durante a votação e a contagem.

Quais fraudes eram praticadas nas eleições com cédulas de papel?

Entre as práticas citadas por Giuseppe Janino, um dos criadores da urna eletrônica, estavam o voto formiguinha, a urna emprenhada, a mão mágica, o bico de pena e o mapismo.

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Segundo Janino, a grande quantidade de intervenção humana no processo criava oportunidades para erros e fraudes. As práticas receberam nomes próprios justamente pela forma como eram executadas.

Como funcionava o voto formiguinha?

O voto formiguinha envolvia uma troca de cédulas entre eleitores e um fraudador que ficava do lado de fora da seção eleitoral.

O eleitor recebia a cédula oficial em branco do mesário, mas, antes de entrar na cabine, recebia uma cédula já preenchida pelo fraudador. Essa cédula era colocada na urna.

Ao sair, o eleitor entregava a cédula oficial em branco ao fraudador. Ele então preenchia o documento e o entregava ao próximo eleitor, repetindo o processo.

O que era a chamada urna emprenhada?

A fraude conhecida como urna emprenhada consistia em colocar cédulas preenchidas dentro da urna antes do início oficial da votação.

As urnas de papel eram abertas diante de representantes dos partidos para demonstrar que estavam vazias. Depois, eram fechadas e encaminhadas aos locais de votação.

Segundo Janino, havia casos em que algumas urnas apareciam mais pesadas antes da eleição, indicando que poderiam conter cédulas previamente preenchidas.

Como funcionava a mão mágica?

A mão mágica ocorria durante a apuração dos votos. As cédulas eram retiradas da urna e colocadas sobre mesas para serem contadas.

Com acesso direto aos papéis, um fraudador poderia retirar uma cédula ou acrescentar outra durante a contagem, segundo o relato de Janino.

O que era o bico de pena?

O bico de pena era uma forma de alterar votos que haviam sido deixados em branco.

Na época, uma cédula não preenchida era contabilizada como voto em branco. Durante a apuração, porém, o responsável pela contagem poderia escrever um número de candidato na cédula antes de registrá-la na planilha.

De acordo com Janino, havia técnicas para fazer isso de maneira discreta, inclusive utilizando grafite escondido sob a unha.

Como funcionava o mapismo?

O mapismo ocorria em uma etapa posterior da apuração, quando os resultados eram registrados em planilhas de papel.

A manipulação poderia alterar a quantidade de votos atribuída a candidatos, sem necessariamente modificar o total da votação. Por exemplo, dois candidatos que tivessem recebido 50 votos cada poderiam aparecer na planilha com 80 votos para um e 20 para o outro.

Também poderiam ser direcionados votos brancos e nulos para determinados candidatos.

Como a urna eletrônica funciona atualmente?

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a urna eletrônica não é conectada à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth durante a votação. O equipamento funciona de maneira isolada e utiliza sistemas previamente submetidos a etapas de inspeção, testes e fiscalização.

Os sistemas são gravados em mídias e lacrados antes das eleições. Cada eleitor é habilitado pelo mesário para votar na seção correspondente.

Os votos são registrados individualmente e armazenados de forma que não seja possível associar o conteúdo de um voto ao eleitor que o registrou.

O que acontece quando a votação termina?

Ao final da votação, a urna imprime o Boletim de Urna (BU), documento que registra os resultados daquela seção. Os dados também são gravados em uma mídia.

Posteriormente, as informações são encaminhadas aos sistemas de totalização utilizados pela Justiça Eleitoral.

A mudança do papel para o sistema eletrônico alterou principalmente as etapas de votação, apuração e totalização. A urna eletrônica passou a concentrar em um sistema informatizado processos que anteriormente dependiam de diversas etapas manuais.

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