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Brasil melhora no desempenho escolar no longo prazo, mas segue abaixo da média da OCDE

Resultados do Pisa 2025 mostram estabilidade em relação a 2022, enquanto especialistas alertam para dificuldades em matemática, leitura e desigualdades educacionais

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil reduziu, ao longo das últimas duas décadas, a distância em relação ao desempenho médio dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O resultado do Pisa 2025, porém, mostra que o país ainda enfrenta dificuldades para transformar essa aproximação em ganhos consistentes de aprendizagem.

Os resultados de 2025 ficaram semelhantes aos registrados pelo Brasil em 2022. A diferença em relação à média da OCDE diminuiu principalmente porque o desempenho dos países avaliados pela organização também recuou nos últimos anos.

A avaliação considera estudantes de aproximadamente 15 anos e mede conhecimentos em matemática, leitura e ciências.

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O que os resultados do Pisa 2025 mostram sobre o Brasil?

O Brasil continua abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas avaliadas.

O país alcançou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Na média de 23 países da OCDE usados como referência, os resultados foram de 466 pontos em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências.

Como cada 20 pontos correspondem aproximadamente a um ano escolar, o desempenho brasileiro em matemática representa uma diferença equivalente a cerca de 4,6 anos de aprendizagem em relação à média da OCDE.

O Brasil melhorou no desempenho escolar desde 2006?

Sim, mas a evolução precisa ser analisada com cautela. Entre 2006 e 2025, a distância entre o Brasil e a média dos países da OCDE diminuiu nas três áreas avaliadas.

Em leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos. Já em ciências, diminuiu de 113 para 77 pontos.

Apesar da redução da distância, especialistas destacam que parte desse movimento ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática.

Por que a melhora no ranking não significa necessariamente mais aprendizagem?

Porque o Brasil manteve resultados relativamente estáveis enquanto vários países apresentaram queda de desempenho.

Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, o desafio agora é transformar essa estabilidade em crescimento efetivo da aprendizagem.

A situação é especialmente preocupante entre os estudantes que ainda não alcançaram os níveis básicos de proficiência. A pandemia também deixou impactos sobre trajetórias escolares que, segundo especialistas, não desaparecem rapidamente.

Quantos estudantes brasileiros atingiram o nível básico em matemática?

Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar mínimo na avaliação.

Isso significa que uma parcela expressiva dos alunos ainda encontra dificuldades para resolver problemas que exigem conhecimentos matemáticos básicos.

Especialistas também apontam um problema no outro extremo da escala: o número de estudantes brasileiros que alcançam os níveis mais altos de proficiência é muito pequeno.

Como as desigualdades sociais aparecem nos resultados?

A desigualdade socioeconômica continua sendo um dos principais desafios da educação brasileira.

Em ciências, por exemplo, a diferença de desempenho entre os 25% de estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos.

A diferença equivale a quase cinco vezes os 20 pontos utilizados como referência para um ano escolar. Para especialistas, os dados mostram que melhorar a aprendizagem também exige reduzir as disparidades entre estudantes de diferentes condições socioeconômicas.

Quantos estudantes participaram do Pisa 2025?

O Pisa 2025 contou com 760 mil estudantes de 91 países.

No Brasil, participaram 30.140 estudantes. Do total, 72,4% eram alunos de escolas da rede estadual e 96,9% dessas instituições estavam localizadas em áreas urbanas.

Cerca de 84,7% dos estudantes brasileiros estavam matriculados na primeira ou segunda série do ensino médio quando realizaram as provas, aplicadas entre abril e maio de 2025.

Nesta edição, o foco principal da avaliação foi o letramento científico.

Como o uso de celulares aparece na avaliação?

O Pisa também investigou o uso de dispositivos digitais no ambiente escolar. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros disseram frequentar escolas que tinham restrições ao uso de celulares.

Em 2022, esse percentual era de 37%. A média entre os países da OCDE ficou em 49%.

Segundo o Ministério da Educação, os dados estão relacionados a evidências de que estudantes submetidos a regras sobre dispositivos digitais relatam menos distrações durante as aulas.

Como a tecnologia está afetando a forma de estudar?

A avaliação aponta mudanças na maneira como os estudantes lidam com informações e ferramentas digitais.

A chamada “leitura apressada”, quando o aluno lê rapidamente, mas de forma imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE também identificou dificuldades crescentes para avaliar informações, relacionar diferentes fontes e desenvolver pensamento crítico.

Entre os estudantes brasileiros avaliados, 28% disseram que colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências.

Além disso, 46% afirmaram utilizar inteligência artificial semanalmente ou com maior frequência para estudar.

Qual é o principal desafio da educação brasileira?

Para os especialistas, o desafio não é apenas elevar a pontuação média do país. É fazer com que um número maior de estudantes desenvolva conhecimentos básicos e, ao mesmo tempo, ampliar a quantidade de alunos capazes de resolver problemas mais complexos.

Isso envolve melhorar a aprendizagem em matemática, leitura e ciências, reduzir desigualdades e lidar com as novas formas de consumo de informação.

O avanço da tecnologia também coloca uma questão para as escolas: como utilizar ferramentas digitais para apoiar o aprendizado sem permitir que elas substituam a capacidade de concentração, interpretação, análise e construção de raciocínio dos estudantes?

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