
A vereadora de Florianópolis Carla Ayres (PT), candidata a deputada federal por Santa Catarina nas eleições de 2026, esteve no Oeste catarinense durante agenda de campanha. Em entrevista ao ClicRDC, ela falou sobre sua trajetória política, as demandas da região e as principais pautas que pretende defender caso seja eleita.
Da Câmara de Florianópolis para a disputa federal
Carla Ayres foi eleita vereadora de Florianópolis em 2020 pelo Partido dos Trabalhadores e reeleita em 2024. Segundo ela, sua atuação na Câmara Municipal tem sido voltada principalmente aos direitos humanos, às mulheres e ao desenvolvimento urbano.
“Todas as questões que envolvem a habitação, o déficit habitacional, as questões ambientais, tudo que tem a ver com o desenvolvimento das cidades, a gente tem atuado fortemente”, afirmou.
Em 2022, Carla foi candidata a deputada federal e ficou como primeira suplente da federação. Naquele período, chegou a assumir uma cadeira na Câmara Federal durante quatro meses. Agora, volta a disputar uma vaga no Congresso Nacional.
A candidata afirma que tem percorrido diferentes regiões de Santa Catarina para ouvir as demandas locais, apesar de sua base política estar na Grande Florianópolis.
“Eu compreendo que, se propor a ser deputada federal do Estado, é necessário a gente ouvir as regiões. Então, a gente viajou muito durante esse período de pré-campanha. Estivemos em várias regiões, inclusive parte do Oeste”, destacou.
Olhar para o Oeste
Durante a passagem pela região, Carla destacou o crescimento de Chapecó e do Oeste catarinense nos últimos anos. Para ela, o desenvolvimento econômico e populacional aumenta também a necessidade de investimentos em infraestrutura.
“A região Oeste é uma das regiões que mais se desenvolveram no nosso Estado nos últimos dez anos, principalmente tendo Chapecó como um polo muito fundamental desse desenvolvimento, seja populacional como também econômico”, afirmou.
Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento da produção agrícola, tanto do agronegócio quanto da agricultura familiar, além de investimentos em logística, no aeroporto e nas rodovias.
“A gente precisa pensar a região Oeste a partir da produção agrícola, seja do agro, seja da agricultura familiar, do fomento ao desenvolvimento da logística, do desenvolvimento do aeroporto, da melhoria das rodovias e da duplicação da 280. É fundamental que isso aconteça”, disse.
Violência contra as mulheres
A defesa dos direitos das mulheres também está entre as principais bandeiras da candidatura. Carla chamou atenção para o aumento dos casos de violência em Santa Catarina e destacou os números de feminicídios registrados no Estado e no Oeste.
“Santa Catarina tem explodido os dados, não só de feminicídio, como também de medidas protetivas e ameaças. Só neste ano foram 36 feminicídios no nosso Estado e 16 feminicídios são aqui no Oeste. Ou seja, quase metade desses dados é no Oeste de Santa Catarina”, afirmou.
Entre as propostas, ela defende a ampliação das delegacias especializadas e o funcionamento 24 horas dessas estruturas.
“O Oeste inteiro só tem sete DPCAMIs, que são as Delegacias para as Mulheres, e elas não funcionam 24 horas. Eu compreendo que as delegacias são função do Estado, porque elas são estaduais, é a Polícia Civil, e que eu estou pleiteando um cargo como deputada federal. Mas eu acho que a gente precisa eleger pessoas que tenham um olhar voltado para isso e disposição de diálogo para conversar com quem é responsável”, disse.
Carla também destacou a articulação para a implantação da Casa da Mulher Brasileira em Santa Catarina, estrutura que reúne diferentes serviços de atendimento e proteção às vítimas de violência.
“Santa Catarina é o único Estado que ainda não tinha essa estrutura. Nós conseguimos, por intermédio particularmente do nosso mandato em Florianópolis, que esse pacto fosse feito”, afirmou.
Segundo ela, atualmente existe um trâmite entre o Governo do Estado e o Ministério das Mulheres para viabilizar a estrutura em Santa Catarina. A candidata também defende a criação de Centros de Referência para atendimento às mulheres em diferentes regiões do Estado.
Emendas parlamentares
Sobre a utilização de emendas parlamentares, Carla defende uma revisão do atual modelo. Para ela, o volume de recursos destinado às emendas individuais reduz a capacidade do Executivo de realizar um planejamento integrado.
“Eu defendo que a gente reveja o montante de emendas parlamentares individuais e que a gente volte a fazer com que a sua aplicação esteja minimamente associada ao plano de governo de quem estiver governando”, afirmou.
A candidata também defende que os recursos destinados pelos parlamentares sejam definidos a partir das necessidades de cada região, com maior participação da população.
“Eu defendo a diminuição das emendas e um retorno significativo desse recurso para o Executivo e que as emendas individuais que fiquem para cada um dos parlamentares sejam distribuídas levando em consideração a demanda real da população e que seja distribuída de forma igual para as regiões”, concluiu.







