quarta-feira, agosto 19, 2026
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Ciclista de Chapecó pré-convocado para o Parapan-Americano conquista pentacampeonato nos Parajasc

André Luiz Carneiro, de 48 anos, conquistou o quinto ouro consecutivo na categoria MC4 e mira uma vaga nos Jogos Parapan-Americanos de 2027, no Peru


O ciclista chapecoense André Luiz Carneiro, conhecido como Bujão, conquistou o pentacampeonato nos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc). A medalha de ouro foi conquistada na categoria MC4, em competição realizada em Chapecó.

Um dos destaques do paraciclismo brasileiro, André tem se mantido entre os três melhores atletas do país na categoria nos últimos anos. Em 2026, ele foi pré-convocado pela Confederação Brasileira de Ciclismo para os Jogos Parapan-Americanos de 2027, no Peru.

O atleta também acumula resultados em competições nacionais e internacionais. Foi medalhista de prata no Campeonato Brasileiro de Pista, em 2022, e conquistou o ouro no Contrarrelógio Individual, em 2025. Em 2026, ganhou a medalha de bronze no Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo de Pista e Estrada, realizado em Indaiatuba (SP).

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Nos Parajasc, André já havia conquistado o ouro em 2022, 2023, 2024 e 2025. Com a vitória deste ano, chegou ao quinto título consecutivo.

“Estou muito feliz, pois desde que começou a modalidade eu tenho conquistado medalha. Comecei no esporte para a manutenção da saúde, depois comecei a treinar para a competição e depois virou alto rendimento”, contou.

Há cinco anos, André mantém uma rotina diária de treinos e percorre entre 400 e 450 quilômetros por semana.

Recomeço pelo esporte

Antes de se dedicar ao ciclismo, André praticou basquete em cadeira de rodas e chegou a disputar os Parajasc na modalidade. Ele também já havia participado de uma escolinha de ciclismo em 1995 e 1996, antes de enfrentar um problema de saúde que mudou sua trajetória.

Aos 19 anos, enquanto servia ao Exército em São Miguel do Oeste, André foi diagnosticado com meningite. O quadro se agravou e provocou a necrose de parte da perna direita, que precisou ser amputada, além de alguns dedos da mão esquerda.

“Eu fiquei em tratamento médico durante um ano. Tive que fazer enxerto de pele, foi um tratamento longo, que exigiu tempo e paciência. Você quase entra em parafuso porque você não aceita. Meu corpo foi mutilado”, relatou.

Após o período afastado do esporte, André ganhou peso e chegou a quase 140 quilos. Além da obesidade, também enfrentava apneia.

Foi a preocupação com a saúde que o levou a retomar o ciclismo. Na primeira competição após o retorno, realizada no interior do Paraná, ele ficou várias voltas atrás dos demais competidores.

“Parecia que iria infartar. Mas pensei: vou emagrecer, vou começar a treinar e competir. Aí perdi 45 quilos e fui melhorando”, contou.

Aos 48 anos, André continua competindo com atletas de diferentes faixas etárias e, em algumas provas, disputa contra ciclistas sem deficiência física.

“Tem que treinar bastante, senão não acompanho”, afirmou.

Exemplo de superação

Para André, os Parajasc representam uma oportunidade de incentivar pessoas com deficiência a praticarem esporte e buscarem novos desafios.

“Quem disputa os Parajasc são guerreiros. Quem tem uma deficiência e não está escondido em casa, já é um vencedor. A medalha é importante, mas você sair de casa, se dedicar a um treino, já é ser um vencedor”, destacou.

O atleta também celebrou a oportunidade de representar Chapecó e afirmou que pretende continuar competindo enquanto tiver condições de saúde.

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