terça-feira, agosto 11, 2026
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Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos de outros países

Agenda divulgada pelo BC também prevê Pix como garantia de crédito, pagamentos offline e novas ferramentas contra fraudes

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central (BC) estuda conectar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e a mecanismos multilaterais de transferências instantâneas. A proposta pode permitir remessas internacionais e compras com o dinheiro disponibilizado em moeda local em poucos segundos.

A informação consta no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10). Segundo a autoridade monetária, a integração internacional pode reduzir tarifas e ampliar o acesso a pagamentos entre diferentes países.

Como funcionaria o Pix conectado a outros países?

O Banco Central avalia tanto acordos diretos entre países quanto a participação em estruturas multilaterais de pagamentos instantâneos. A ideia é permitir que uma transferência ou compra internacional seja concluída rapidamente, com os recursos disponibilizados na moeda do país de destino.

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O BC também informou que acompanha iniciativas de empresas brasileiras e estrangeiras que já estão desenvolvendo modelos de transações internacionais utilizando o Pix.

Quais novas funções estão previstas para o Pix?

Além das conexões internacionais, o Banco Central estuda pagamentos por aproximação mesmo quando o usuário estiver sem internet. Outra possibilidade é ampliar o uso do Pix Automático, que poderá substituir mecanismos tradicionais de débito em conta em determinadas situações.

As novidades fazem parte da agenda de desenvolvimento do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

Como o Pix poderá ser usado como garantia de crédito?

O Banco Central também avalia integrar o Pix ao mercado de crédito. Uma das propostas é permitir que os chamados “fluxos futuros de Pix” sejam utilizados como garantia para financiamentos.

A expectativa é melhorar a qualidade das garantias e, consequentemente, ajudar a reduzir o custo do crédito. A medida pode ter impacto principalmente sobre empresas que movimentam grande volume de recursos por meio do Pix.

O Banco Central vai mudar o uso das mensagens do Pix?

Sim. O Banco Central identificou casos em que o campo de mensagens das transferências vem sendo usado para ofensas, ameaças e intimidações, muitas vezes acompanhadas de pagamentos de valores muito baixos.

O campo foi criado originalmente para registrar informações relacionadas às transações. Diante do uso inadequado, o BC criou um grupo de trabalho para avaliar alternativas e poderá adotar novas regras para impedir abusos.

Quais medidas contra fraudes estão sendo estudadas?

O Banco Central prevê oito medidas para reforçar a segurança do Pix. Entre elas está a criação de critérios objetivos mínimos para que as instituições financeiras identifiquem transações suspeitas.

Atualmente, cada instituição possui suas próprias políticas. A avaliação do BC é que essa diferença pode fazer com que operações que merecem uma análise mais cuidadosa sejam autorizadas sem o devido tratamento.

Como funcionará o novo sistema de detecção de fraudes do Pix?

O Banco Central pretende criar um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, calculado em tempo real para as transações. O sistema será desenvolvido com uso de modelos de aprendizado de máquina e poderá ser disponibilizado às instituições participantes.

Também estão previstas a padronização dos alertas de fraude e melhorias na troca de informações entre bancos e instituições financeiras durante bloqueios cautelares de operações suspeitas.

Outra proposta é ampliar as medidas cautelares, incluindo a possibilidade de restringir o cadastro de novas chaves Pix de instituições que apresentem riscos ao funcionamento do sistema.

Por que o Pix entrou no debate com os Estados Unidos?

O Pix também passou a ser citado pelo governo dos Estados Unidos em meio às tensões comerciais com o Brasil. O mecanismo brasileiro foi mencionado como uma das justificativas para a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

O governo norte-americano afirma que o Pix representa uma prática desleal no mercado financeiro. O governo brasileiro contesta essa avaliação.

A discussão ganhou espaço porque o sistema brasileiro criou uma infraestrutura de pagamentos instantâneos desenvolvida nacionalmente, sem depender de estruturas financeiras controladas pelos Estados Unidos.

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