
⚡ Em Resumo:
- O que é: Audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) debateu os impactos da redução de agências bancárias e do atendimento presencial no estado.
- Números principais: Em dez anos, Santa Catarina teve redução de 40% no número de agências e queda de 30% nos postos de trabalho do setor. Atualmente, 44% dos municípios catarinenses não possuem agência bancária.
- Onde: O debate ocorreu na Alesc, em Florianópolis, com participação de autoridades, bancários e entidades sindicais.
- Quem afeta: Clientes bancários, especialmente moradores de municípios menores, idosos, pessoas com dificuldade de acesso digital, trabalhadores do setor financeiro e pequenos negócios.
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) realizou uma audiência pública para discutir os impactos do fechamento de agências bancárias no estado. O encontro ocorreu na noite de quarta-feira (5) e reuniu autoridades, representantes de trabalhadores do setor financeiro e entidades sindicais.
Um dos principais encaminhamentos foi a criação de uma comissão para estudar medidas legislativas que possam exigir a manutenção do atendimento presencial pelas instituições bancárias.
Por que as agências bancárias estão sendo fechadas em Santa Catarina?
Segundo representantes dos trabalhadores, a redução das unidades está relacionada ao avanço da digitalização dos serviços bancários.
A Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), responsável pelo pedido da audiência, afirmou que a diminuição do atendimento presencial prejudica principalmente moradores de municípios menores e pessoas com dificuldade de acesso às ferramentas digitais.
O secretário-geral da entidade, Marco Aurélio Silvano, destacou que a tecnologia trouxe avanços, mas não substitui completamente o atendimento realizado por profissionais.
Quantas agências bancárias foram fechadas no estado?
Durante a audiência, o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Gustavo Cavarzan, apresentou dados sobre o setor bancário catarinense.
Segundo o levantamento, em dez anos houve uma redução de 40% no número de agências em Santa Catarina. No mesmo período, os postos de trabalho no setor diminuíram 30%.
Atualmente, 44% dos municípios catarinenses não possuem agência bancária, situação que afeta mais de 600 mil pessoas, conforme os dados apresentados.
Quais são os impactos da redução do atendimento presencial?
Representantes dos trabalhadores afirmam que a diminuição das agências pode afetar a população mais vulnerável, especialmente idosos, pessoas sem acesso à internet e clientes que precisam resolver situações mais complexas, como operações de crédito e problemas relacionados a fraudes.
O economista Gustavo Cavarzan também apontou possíveis reflexos econômicos nos municípios, como impactos para pequenos negócios, arrecadação municipal e pagamento de tributos.
Segundo ele, a expansão dos correspondentes bancários não substitui totalmente a estrutura das agências. Em Santa Catarina, seriam 12,3 mil correspondentes bancários, número superior ao de unidades tradicionais.
O que foi defendido durante a audiência na Alesc?
Representantes sindicais defenderam a criação de regras que garantam a manutenção do atendimento presencial pelas instituições financeiras.
Cleberson Eichholz, presidente do Sindicato dos Bancários da Grande Florianópolis (Sintrafi), afirmou que o atendimento presencial é necessário para garantir acesso aos serviços para pessoas com maior dificuldade no uso das plataformas digitais.
Já Gustavo Tabatinga, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), sugeriu ainda a criação de normas relacionadas ao uso de instituições financeiras pelo poder público estadual, considerando a estrutura de atendimento disponível.
A comissão que será criada deverá analisar alternativas e discutir possíveis medidas legislativas sobre o atendimento bancário presencial em Santa Catarina.
Fonte: Alesc






