
Por que Chapecó foi escolhida para iniciar o projeto?
A Comarca de Chapecó foi a primeira a receber a nova etapa de interiorização do projeto de preservação da memória do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). A iniciativa, desenvolvida pela Comissão de Gestão de Memória em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), busca valorizar o patrimônio documental do Judiciário e incentivar ações de conservação dos processos históricos.
A escolha da comarca ocorreu devido ao trabalho de preservação realizado no arquivo local, considerado referência no Estado.
O que foi avaliado durante a visita técnica?
A equipe do TJSC realizou uma visita ao arquivo físico da comarca para analisar as condições de preservação dos documentos e do acervo de processos judiciais. O material reúne registros desde a instalação da comarca, em 1917, além de documentos que remontam ao século XIX.
Participaram da visita a desembargadora Haidee Denise Grin, presidente da Comissão de Gestão da Memória do TJSC, o juiz Márcio Schiefler Fontes, presidente da comissão de memória do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), o chefe da Divisão de Arquivo do TJSC, Marcos Rodolfo da Silva, e o juiz-corregedor Gustavo Marcos de Farias.
Qual trabalho transformou Chapecó em referência?
O destaque da comarca está no trabalho desenvolvido pela servidora Hedvig Olga Kottwitz, responsável pelo arquivo. Há pelo menos seis anos ela atua na conservação e digitalização dos documentos históricos, iniciativa que lhe rendeu, em 2025, o Certificado Amigo da Memória concedido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Segundo a desembargadora Haidee Denise Grin, a intenção é transformar a experiência de Chapecó em um modelo que possa ser replicado em outras comarcas catarinenses.
O diretor do Foro da Comarca de Chapecó, juiz Juliano Serpa, ressaltou que preservar a história é uma forma de reconhecer o trabalho das pessoas que contribuíram para a construção da Justiça na região.
Como o acervo contribui para a pesquisa histórica?
Além da visita técnica, o TJSC promoveu um encontro com professores, pesquisadores, historiadores, magistrados e servidores para apresentar as ações de preservação e incentivar pesquisas baseadas no acervo judicial.
O chefe da Divisão de Arquivo do TJSC, Marcos Rodolfo da Silva, destacou que os processos registram acontecimentos importantes da história dos municípios e da sociedade, permitindo compreender diferentes períodos históricos.
Durante o evento, o historiador Maikel Gustavo Schneider relatou que utilizou 71 processos judiciais em uma pesquisa sobre a colonização do Oeste catarinense sob a perspectiva criminal, nas comarcas de Itapiranga e Mondaí. Ele elogiou a organização do arquivo de Chapecó e destacou a importância da preservação desses documentos para as futuras gerações.






