quinta-feira, julho 30, 2026
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Cidade que perdeu 80% da área urbana para enchente proíbe reconstrução de casas

Após sucessivas enchentes históricas, Muçum decidiu impedir novas construções em áreas de risco. Especialistas defendem que a adaptação às mudanças climáticas é essencial para reduzir perdas humanas e materiais.

Foto: Reprodução/Jornal Nacional

⚡ Em Resumo:

  • O que é: Muçum (RS) proibiu a reconstrução de casas nas áreas mais atingidas pelas enchentes e transformará o local em um parque ecológico.
  • Números/Dados: 80% da área urbana foi inundada, 350 construções foram condenadas, o Rio Taquari subiu 26 metros e mais de 10 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco.
  • Onde: Muçum, no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul.
  • Quem afeta: Moradores removidos das áreas de risco, empresas locais e municípios que estudam adotar a mesma medida.

Por que Muçum proibiu a reconstrução de casas?

Após ser devastada por três enchentes em apenas oito meses, entre setembro de 2023 e maio de 2024, a Prefeitura de Muçum, no Vale do Taquari, decidiu proibir novas construções na área mais atingida pelas cheias. A medida busca evitar que moradores voltem a ocupar locais vulneráveis e reduzir os impactos de futuros eventos climáticos extremos.

A decisão foi tomada depois que cerca de 80% da área urbana ficou debaixo d’água durante a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul.

Quais foram os impactos das enchentes?

As enchentes condenaram 350 construções, destruíram o cemitério municipal, que possuía aproximadamente 3 mil jazigos, e arrasaram parte da infraestrutura da cidade.

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No auge da cheia, o Rio Taquari atingiu um nível inédito, subindo 26 metros. A força da água destruiu uma rodovia inteira, enquanto uma ponte foi a única estrutura autorizada a ser reconstruída no mesmo local.

O que será feito na área atingida?

O espaço onde existiam casas dará lugar a um parque ecológico de aproximadamente 200 mil metros quadrados, com solo permeável e áreas de lazer.

Segundo a administração municipal, a iniciativa permitirá que futuras enchentes ocupem uma área preparada para receber a água, reduzindo prejuízos à população.

As famílias removidas aguardam novas moradias em locais considerados seguros, longe do Rio Taquari. Parte dos moradores já foi transferida para conjuntos habitacionais construídos em regiões sem risco de inundação.

Outras cidades podem seguir o mesmo caminho?

Além de Muçum, outros seis municípios do Vale do Taquari discutem transformar em lei a proibição de reconstruções em áreas devastadas pelas enchentes.

Empresas instaladas nas regiões de risco também receberam incentivos para mudar de endereço, acompanhando o novo planejamento urbano adotado pelo município.

Quanto o Brasil investe em prevenção de desastres?

Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que, entre 2012 e 2026, o Brasil destinou R$ 34,36 bilhões para resposta e reconstrução após desastres naturais, enquanto apenas R$ 9,62 bilhões foram investidos em prevenção.

O relatório aponta que o país ainda concentra recursos para reparar danos, em vez de reduzir riscos antes que as tragédias aconteçam.

Por que especialistas defendem a adaptação às mudanças climáticas?

Especialistas afirmam que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas. Por isso, defendem medidas como a retirada de moradores de áreas vulneráveis, planejamento urbano e obras preventivas.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que mais de 10 milhões de brasileiros vivem atualmente em áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção.

Com informações do portal G1

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