
Durante o período de outono e inverno, semeamos culturas comerciais, principalmente o trigo e a canola, mas também outras visando à produção de grãos e sementes e, fundamentalmente, as plantas de cobertura de solo, também conhecidas como plantas de serviço.
As plantas de serviço recebem esse nome porque cobrem e protegem o solo, realizam o sequestro de carbono da atmosfera pela fotossíntese, deixam resíduos que promovem o aumento no teor de matéria orgânica, estimulam a vida do solo, reciclam nutrientes e deixam o ambiente mais preparado para as culturas de grãos da primavera e verão.
As culturas de inverno são semeadas com populações elevadas e espaçamentos menores, o que faz com que ocupem e cubram o solo rapidamente. É nesse momento que devemos aproveitar os benefícios dessas plantas para realizar os tratos e manejos essenciais ao sistema de produção de alimentos.

As culturas de verão, para produção de grãos e sementes, são muito exigentes em nutrientes e água; portanto, é fundamental “ajeitar” o solo no inverno para atender à demanda dessas culturas.
No outono e inverno, temos condições de solo, clima, temperatura e pluviosidade que favorecem a adoção de diversas práticas de manejo. Nessa época, é importante realizar:
– A calagem do solo para elevar o pH (5,8 a 6,5), eliminar o alumínio tóxico (zero) e aumentar a saturação de bases (65% a 75%);
– A implantação de culturas diversificadas utilizando famílias diferentes e espécies com sistema radicular agressivo (mix/policultivos/plantas de serviço);
– A aplicação de adubos orgânicos que são de decomposição lenta para fornecimento de nutrientes;
– A antecipação da adubação, se possível, aplicando do fósforo e do potássio demandados pela cultura de verão, fazendo a adubação de sistema.

As plantas de outono/inverno (como nabo forrageiro, ervilhaca, ervilha forrageira, aveia e centeio) cobrem o solo, produzem diferentes volumes de biomassa aérea e raízes, estimulam o crescimento de microrganismos e favorecem a reação do calcário. Elas promovem a reciclagem de nutrientes, levando nutrientes para as camadas mais profundas pelas raízes e trazendo outros para a superfície, além de aumentarem o teor de matéria orgânica e protegerem o solo contra a perda de água, o calor excessivo e a erosão causada por chuvas intensas.
Além disso, essas plantas melhoram significativamente a física do solo. Suas raízes produzem poros biológicos e canais que vão da superfície até camadas profundas, facilitando a infiltração de água, a aeração do solo e a migração de insumos e calcário para maiores profundidades, o que é fundamental para uma agricultura de qualidade. De forma importante, elas estimulam a biologia do solo, pois um ambiente rico em raízes abriga mais macro, meso e microrganismos, promovendo interações benéficas entre fungos, bactérias e as plantas.
Essas plantas têm a capacidade de aumentar muito a capacidade de armazenamento de água e de nutrientes no solo, o que é salutar para as culturas de verão, tornando-as menos dependentes de chuvas frequentes e de adubações pesadas. Assim, ao longo do tempo, essas plantas melhoram a química, a física e a biologia do solo. Não existe tecnologia que promova tantos benefícios quanto o bom manejo.

Em suma, as plantas de serviço de outono/inverno preparam o solo para receber as culturas de primavera/verão em melhores condições. Dessa forma, a soja, o feijão, o girassol, o milho, o milheto, o sorgo, entre outras, podem se beneficiar de todo o manejo realizado pelo produtor.
Não podemos mais pensar apenas em uma cultura e aplicar nela todas as tecnologias disponíveis no mercado, pois a planta só expressará seu potencial produtivo se o solo e o clima permitirem. Como não controlamos o clima, devemos investir e cuidar do solo, que é o nosso maior reservatório de água e nutrientes para a produção de alimentos.
Abraço aos amigos leitores.
Anderson Clayton Rhoden.
Professor no Curso de Agronomia Uceff.







