quinta-feira, julho 16, 2026
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Exportadoras alertam que Brasil pode perder mercado da União Europeia por novas regras sobre carne

Setor afirma que adaptação às exigências europeias sobre antimicrobianos pode levar até dois anos e preocupa frigoríficos brasileiros.


⚡ Em Resumo:

  • O que é: Exportadoras de carne afirmam que o Brasil pode não conseguir atender às novas exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
  • Números principais: A proibição passa a valer em 3 de setembro de 2026. Em 2025, cerca de 5% das exportações brasileiras de carne tiveram como destino a União Europeia.
  • Onde: Brasil, União Europeia e mercado internacional de carnes.
  • Quem afeta: Frigoríficos, pecuaristas, exportadores, produtores rurais e consumidores.

As indústrias exportadoras de carne avaliam que o Brasil poderá enfrentar dificuldades para continuar vendendo produtos de origem animal à União Europeia. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, após o bloco europeu retirar o país da lista de nações consideradas aptas a cumprir as novas regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Se não houver uma solução até setembro, o Brasil ficará impedido de exportar carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, pescado, mel e tripas para os países da União Europeia.

Por que a União Europeia restringiu as exportações brasileiras?

A Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países habilitados por entender que o governo brasileiro não apresentou informações suficientes para comprovar o cumprimento das regras sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

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Os antimicrobianos são medicamentos utilizados para tratar e prevenir infecções nos animais. Na União Europeia, o uso dessas substâncias como promotores de crescimento é restrito.

A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026.

O setor acredita que será possível atender às exigências?

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a adaptação não será simples e dificilmente ocorrerá em curto prazo.

De acordo com o setor, considerando o ciclo da pecuária bovina, a adequação às novas exigências europeias pode levar cerca de dois anos.

Perosa afirmou que o Ministério da Agricultura e Pecuária mantém diálogo com frigoríficos e produtores para buscar uma solução antes da entrada em vigor das restrições.

Qual é o impacto para a carne brasileira?

Embora represente aproximadamente 5% das exportações brasileiras de carne, o mercado europeu é considerado estratégico por importar cortes de maior valor agregado.

Além da União Europeia, a cadeia produtiva enfrenta outro desafio no comércio internacional. Desde janeiro de 2026, a China passou a adotar cotas de importação para a carne bovina brasileira e aplica uma sobretaxa de 55% sobre os embarques que ultrapassarem o limite anual de 1,1 milhão de toneladas.

Segundo a Abiec, essas medidas reduzem a capacidade de escoamento da produção nacional e pressionam as margens da indústria.

Quais reflexos já são percebidos pelo setor?

De acordo com Roberto Perosa, algumas empresas já registram dificuldades para manter o ritmo de produção, inclusive com relatos de férias coletivas em frigoríficos.

Ele afirma que a demanda internacional é importante para equilibrar o mercado brasileiro e garantir a remuneração da cadeia produtiva.

Segundo o dirigente, atualmente muitas indústrias operam com margens negativas diante das restrições impostas pelos principais mercados compradores.

O preço da carne pode mudar no Brasil?

Na avaliação da Abiec, os preços da carne no mercado interno devem permanecer estáveis em um primeiro momento.

No entanto, caso as restrições internacionais persistam e os custos da cadeia continuem pressionados, o setor avalia que poderá haver reajustes nos preços ao consumidor nos próximos meses.

Fonte: G1

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