
Familiares e amigos do caminhoneiro Jhonatam Junior da Silva Novask, morto a facadas após uma briga de trânsito em 27 de dezembro de 2025, em Ponte Serrada, estão organizando uma manifestação para pedir que o acusado volte a responder ao processo preso. O ato ocorre após a Justiça revogar a prisão preventiva do homem de 65 anos, que agora aguardará em liberdade o julgamento pelo Tribunal do Júri.
A mobilização está marcada para o dia 19 de julho, às 6h30, com concentração em frente ao Madero, em Chapecó, tradicional ponto de encontro de caminhoneiros. A manifestação será pacífica e contará com familiares, amigos, colegas de profissão de Jhonatam e caminhões da empresa CETRIC, onde a vítima trabalhava. Os organizadores convidam a comunidade para participar vestindo camiseta branca.
Segundo a irmã da vítima, Maira Nancy da Silva Novask, a decisão judicial provocou revolta e reacendeu a dor vivida pela família. “Receber a notícia de que o assassino do meu irmão foi solto para aguardar o julgamento em liberdade foi como viver o dia 27 de dezembro de 2025 tudo de novo. A dor de perder ele de forma tão brutal já é insuportável, mas ver a impunidade de perto traz uma sensação de total desamparo e indignação. A nossa família está despedaçada e com medo. Meu irmão era um trabalhador, um caminhoneiro que dedicava a vida à estrada. Ele foi tirado de nós e, enquanto nós carregamos uma pena perpétua de saudade, o responsável pelo crime volta para o conforto de casa. É uma injustiça que dói na alma.” Um perfil no Instagram foi criado como forma de manifestação.
Sobre o andamento do processo, Maira afirma que a família acompanha a atuação do Ministério Público e espera que sejam adotadas medidas para reverter a decisão. “Sabemos que o Ministério Público tem um papel fundamental e nosso desejo é que haja toda a mobilização possível para recorrer dessa decisão de liberdade. Não vamos ficar parados assistindo a isso. Queremos que a justiça seja feita pelas vias legais e que ele aguarde o julgamento na prisão, que é onde deveria estar.”
Ela também afirma que a mobilização busca impedir que o caso seja esquecido. “O nosso grande objetivo é não deixar que a morte do meu irmão vire apenas mais uma estatística de violência. Queremos chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a lentidão e para as brechas da lei que protegem o criminoso em vez de amparar a família da vítima. Estamos mobilizando também a classe dos motoristas e caminhoneiros, que era a categoria do meu irmão, porque quando um trabalhador da estrada é tirado de nós dessa forma, toda a classe sente o baque. É um pedido por justiça e por segurança para todos.”
Relembre o caso
Jhonatam Junior da Silva Novask, de 30 anos, morreu após ser esfaqueado durante uma discussão de trânsito registrada no pátio de um posto de combustíveis às margens da BR-282, em Ponte Serrada, no dia 27 de dezembro de 2025. Depois do crime, o suspeito fugiu do local e se apresentou à Polícia Civil dias depois, acompanhado de um advogado, quando teve a prisão preventiva decretada.
A investigação concluiu o inquérito e o caso seguiu para a Justiça. Recentemente, a Vara da Comarca de Ponte Serrada revogou a prisão preventiva do acusado, que responderá ao processo em liberdade até o julgamento pelo Tribunal do Júri. Conforme a defesa, imagens de câmeras de segurança sustentam a tese de legítima defesa.






