
A Polícia Civil divulgou novas informações sobre o homicídio registrado na manhã da última sexta-feira (29), em Chapecó, e confirmou a prisão temporária do homem apontado como autor do crime. A investigação concluiu que a vítima foi executada com disparos de arma de fogo pelas costas após ser perseguida por aproximadamente uma hora.
O mandado de prisão temporária foi expedido pela Justiça no dia seguinte ao crime e cumprido na tarde desta segunda-feira (1º), quando o investigado se apresentou espontaneamente à Delegacia de Homicídios de Chapecó acompanhado por advogado para prestar interrogatório.
O homicídio ocorreu por volta das 9h20 na rua Beloni Trombetta Zanin, no bairro Santo Antônio, nas proximidades da área de campo utilizada pela UDESC. No local, os policiais encontraram já sem vida Clair dos Santos, atingido por dois disparos de arma de fogo.
Segundo a investigação, o autor utilizou um veículo Peugeot 2008 branco para procurar a vítima pelas ruas da região. Ao localizá-la, teria tentado atropelá-la, chegando a colidir o carro contra uma calçada e danificar partes do veículo. Mesmo com um pneu furado, continuou a perseguição.
A vítima correu em direção à área de campo da universidade, onde acabou alcançada. Conforme apurado pela Delegacia de Homicídios, o suspeito desembarcou do veículo e efetuou quatro disparos pelas costas do homem, sendo que dois tiros atingiram a vítima.
Uma testemunha que presenciou toda a ação relatou aos investigadores que, após os disparos, o autor teria pedido para não ser denunciado à polícia, afirmando que havia “matado um ladrão”.
O laudo de necrópsia apontou que a morte foi causada por choque hipovolêmico intenso decorrente dos ferimentos provocados pelos projéteis. Os tiros atingiram órgãos vitais, incluindo o coração. A perícia também concluiu que os disparos foram realizados pelas costas, a curta distância e sem possibilidade de defesa da vítima.
As conclusões da investigação divergem da versão apresentada pelo investigado durante o interrogatório. Ele alegou que efetuou disparos para “alertar” o homem durante a perseguição, sem intenção de acertá-lo.
Em depoimento, o suspeito afirmou que saiu à procura do homem após receber informações de que uma farmácia próxima à sua residência havia sido furtada. Segundo ele, a intenção seria localizar o suspeito e levá-lo à delegacia. No entanto, a Polícia Civil destacou que, em nenhum momento, o investigado acionou as forças de segurança para comunicar o suposto crime.
A proprietária da farmácia informou aos policiais que os objetos furtados eram um perfume e um desodorante e que, inicialmente, sequer pretendia registrar boletim de ocorrência devido ao baixo valor dos itens.
Para a Polícia Civil, mesmo que a vítima tivesse envolvimento com o furto, não existia qualquer situação que justificasse a ação do investigado. A investigação aponta que houve uma execução motivada por uma suspeita não confirmada de crime patrimonial.
Durante as diligências, o homem entregou o revólver calibre .38 utilizado no homicídio. A arma não possuía registro e, segundo a investigação, era mantida irregularmente pelo suspeito há vários anos.
Além do homicídio qualificado, o investigado também responderá pelo crime de posse irregular de arma de fogo. Após o interrogatório, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.












