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Um filme produzido por indígenas Guaranis na Aldeia Ara Poty, localizada na Terra Indígena Toldo Chimbangue, em Chapecó, está ganhando destaque em festivais de cinema por todo o país. A obra “Ivá Jerá (A Criação do Universo)” foi viabilizada por meio de um edital da Secretaria de Cultura do município, com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Dirigido pelo cineasta indígena Werá Alexandre, o filme recebeu investimento de R$ 70 mil para uma produção de 25 minutos. A iniciativa possibilitou a contratação de profissionais e aquisição de equipamentos, embora a maior parte da equipe — incluindo o elenco — seja formada por integrantes da própria comunidade Guarani.
A atriz principal, Juliana Ferreira, também é irmã do diretor e dá vida a uma personagem inspirada em experiências reais. A narrativa aborda o conflito vivido por jovens indígenas entre o mundo tradicional e as influências da sociedade contemporânea.
Segundo o diretor, o filme propõe uma abordagem diferente do padrão mais comum nas produções indígenas. “É uma obra híbrida, que mistura realidade com ficção. Mostramos que o indígena tem acesso à tecnologia, mas isso não significa perder sua cultura”, explica.
Werá também destaca a importância de produções feitas pelos próprios povos originários. “Filmes feitos por não indígenas muitas vezes trazem uma visão estereotipada. Nós mostramos como enxergamos o mundo”, afirma.
Natural de Misiones, na Argentina, o cineasta iniciou sua trajetória ainda jovem, em aldeias do Rio Grande do Sul. Ele já dirigiu outras produções e participou da montagem de diversos filmes. Atualmente, trabalha em um novo projeto, intitulado “Kanhangue (As Mulheres)”, que já teve o roteiro selecionado para importantes laboratórios e festivais.
Para o diretor, o cinema vai além da arte: “É uma forma de reafirmar nossa resistência e nossa luta pelo direito de existir”.










