
Três homens armados e mascarados mantiveram 25 pessoas reféns por quase duas horas em uma agência bancária de Nápoles, no sul da Itália, na manhã da última quinta-feira (16). A ação, descrita como “profissional” pelos reféns, terminou sem feridos, mas com os criminosos escapando por um túnel subterrâneo pré-escavado que levava à rede de esgoto da cidade. O grupo levou o conteúdo de dezenas de cofres de segurança individuais, cujo prejuízo total ainda é incalculável.
De acordo com a reconstituição da polícia local (Carabinieri), a invasão à agência do banco francês Crédit Agricole ocorreu por volta das 11h30 (horário local). Portando pelo menos uma arma de fogo e utilizando máscaras com os rostos de atores famosos, os assaltantes renderam clientes e funcionários que estavam no local. Enquanto um dos criminosos vigiava o grupo confinado em uma sala, os outros dois executavam o plano meticuloso de arrombamento.
Diferentemente de assaltos tradicionais, o alvo não era o cofre principal da agência. A quadrilha focou exclusivamente nos cofres de segurança alugados por clientes. “Foi uma ação cirúrgica. Eles sabiam exatamente onde queriam chegar e o que estavam procurando”, relatou uma fonte policial à agência AFP. Como o conteúdo desses compartimentos é privado, variando de joias e dinheiro a documentos, o valor do roubo permanece uma incógnita. “Ninguém além dos clientes sabe o que havia dentro dessas caixas”, reforçou o investigador.
A polícia foi acionada e cercou o prédio, mas o plano de fuga já estava em andamento. Imagens da imprensa local mostram agentes da tropa de elite quebrando as janelas de vidro para entrar no edifício assim que o sequestro foi comunicado. Contudo, quando as forças de segurança acessaram o interior da agência, por volta das 13h30, os criminosos já haviam desaparecido.
Fuga pelo subsolo
A rota de escape revelou o alto grau de planejamento do crime. Os assaltantes utilizaram uma passagem escavada no piso da agência que dava acesso direto ao complexo sistema de esgoto napolitano. A polícia acredita que o túnel tenha sido construído previamente, possivelmente ao longo de semanas, sem levantar suspeitas na vizinhança.
O prefeito de Nápoles, Michele di Bari, emitiu uma nota confirmando que todos os 25 reféns foram libertados sem ferimentos graves, embora muitos estivessem em estado de choque. “Eles foram profissionais, não nos machucaram. Apenas nos mantiveram trancados e em silêncio”, teria dito uma das testemunhas aos Carabinieri.
Até o fim da tarde de quinta-feira, cerca de 40 agentes, incluindo equipes com cães farejadores, realizavam buscas intensas na rede subterrânea da cidade e nos arredores da agência. Peritos criminais permaneceram no local durante horas recolhendo impressões digitais e analisando a estrutura do túnel. Apesar dos esforços, os três suspeitos seguem foragidos. As autoridades italianas investigam agora se o grupo tem ligação com outras organizações criminosas especializadas em roubos a bancos com uso de túneis, técnica comum em algumas facções do sul da Itália.






