
O fenômeno El Niño deve atuar com força ao longo de 2026 e trazer impactos significativos para a região Sul do Brasil, especialmente no Oeste de Santa Catarina. A projeção é de aumento das chuvas, maior frequência de tempestades e risco elevado de enchentes a partir do inverno.
De acordo com o meteorologista Piter Scheuer, os primeiros sinais do fenômeno começam a aparecer ainda no outono, com possível influência já no mês de maio, embora de forma menos significativa. A atuação mais intensa, no entanto, deve ocorrer entre junho e o final do ano.
“É um El Niño forte, não tem nem o que questionar”, afirmou o especialista ao destacar o acoplamento entre oceano e atmosfera (característica típica do fenômeno) que já começa a se consolidar.
A tendência é de chuvas acima da média em grande parte do período, com destaque para os meses de inverno e primavera. Esse cenário aumenta o risco de eventos extremos, como tempestades severas, tornados isolados e microexplosões, especialmente no Oeste da região Sul.
Além disso, rios importantes como o Rio Uruguai, Rio Chapecó, Rio Irani e o Rio Itajaí-Açu podem registrar elevação nos níveis, aumentando o risco de enchentes ao longo do ano.
Temperaturas mais altas e inverno menos rigoroso
As projeções indicam que, a partir de junho, praticamente toda a região Sul deve registrar volumes de chuva acima da média, com picos entre julho e setembro. As temperaturas também tendem a ficar acima do normal, apesar da ocorrência de períodos de frio.
Segundo o meteorologista, o inverno de 2026 deve ser menos rigoroso em comparação ao ano anterior, com geadas mais curtas e menos frequentes. A possibilidade de neve é considerada baixa.
Outro indicativo do fortalecimento do fenômeno é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com temperaturas até 2,5°C acima da média — um dos principais sinais de um El Niño intenso.
A recomendação é que a população acompanhe os alertas meteorológicos ao longo dos próximos meses, especialmente em áreas mais vulneráveis a alagamentos e eventos climáticos severos.
El Ninõ
Segundo a Metsul Meteorologia, o El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, mudando o padrão de ventos e a distribuição de chuvas em várias regiões do planeta. Na prática, o El Niño interfere diretamente no clima, provocando impactos diferentes conforme a região.
No Sul do Brasil, o fenômeno costuma trazer:
- Chuvas acima da média
- Maior frequência de temporais
- Risco elevado de enchentes
Já em outras áreas do país, como o Norte e o Nordeste, pode causar períodos de seca mais intensos.
O El Niño ocorre de forma cíclica, geralmente a cada poucos anos, e sua intensidade pode variar entre fraca, moderada e forte — sendo que os episódios mais intensos tendem a provocar eventos climáticos mais extremos.







