
A taxa de desemprego no Brasil voltou a crescer e atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (27). O índice representa cerca de 6,2 milhões de pessoas em busca de trabalho, um aumento de 600 mil em relação ao trimestre anterior.
Apesar da alta recente, o resultado ainda é o menor já registrado para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012. O avanço da desocupação foi influenciado principalmente pela redução de vagas nos setores de saúde, educação e construção civil — comportamento considerado sazonal para o período.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, a queda no número de ocupados nesses setores está ligada ao encerramento de contratos temporários, especialmente no serviço público. “Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, o que impacta diretamente o nível de ocupação”, explicou.
No total, a população ocupada foi estimada em 102,1 milhões de pessoas, com recuo de 0,8% no trimestre, o que representa menos 874 mil trabalhadores. Ainda assim, na comparação anual, houve crescimento de 1,5 milhão de pessoas ocupadas.
Entre os setores mais impactados, a administração pública, educação, saúde e serviços sociais registraram a perda de 696 mil vagas. Já a construção civil teve redução de 245 mil postos de trabalho, refletindo a menor demanda por obras no início do ano.
Outro dado relevante foi a queda no número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, que diminuiu em 342 mil pessoas, totalizando 13,3 milhões. O emprego formal, por outro lado, manteve estabilidade, com 39,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
A subutilização da força de trabalho também apresentou alta, passando de 13,5% para 14,1%, o que representa cerca de 16,1 milhões de pessoas em situação de subocupação ou desalento.
Por outro lado, o rendimento médio do trabalhador brasileiro atingiu um novo recorde, chegando a R$ 3.679. O valor representa aumento de 2% no trimestre e de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o IBGE, o crescimento da renda está associado à maior demanda por trabalhadores e à tendência de formalização em setores como comércio e serviços. Além disso, a taxa de informalidade apresentou leve queda, passando de 37,7% para 37,5% da população ocupada.
A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre o mercado de trabalho no país e abrange cerca de 211 mil domicílios em mais de 3.500 municípios. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em março, está prevista para o dia 30 de abril.
Fonte: IBGE







