segunda-feira, maio 11, 2026
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Brasil amplia compra de diesel russo e reduz dependência do Oriente Médio

Com suspensão de fornecimento do Oriente Médio, combustível russo passou a liderar o mercado brasileiro; governo adotou medidas para conter alta nos preços

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Rússia se consolidou como principal fornecedora de diesel ao Brasil nos últimos meses, ampliando significativamente sua participação nas importações brasileiras após a suspensão das compras vindas do Oriente Médio em razão do conflito na região.

Dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que entre março e abril deste ano o Brasil importou US$ 1,76 bilhão em diesel. Desse total, US$ 1,43 bilhão tiveram origem na Rússia, o equivalente a 81,25% de todas as compras externas do combustível no período.

Os Estados Unidos aparecem na segunda colocação, com US$ 112,92 milhões, representando 6,42% do volume importado.

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A dependência brasileira do diesel russo se intensificou ainda mais em abril. Somente naquele mês, o país comprou US$ 924 milhões do combustível da Rússia, o que correspondeu a 89,84% das importações.

Os números mostram uma escalada acelerada. Em fevereiro, as compras de diesel russo somaram US$ 433,22 milhões. Em março, o valor subiu para US$ 505,86 milhões e praticamente dobrou em abril.

Antes do agravamento da guerra no Oriente Médio, o Brasil ainda mantinha parte do abastecimento com fornecedores da região, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Em março, ainda foram registrados carregamentos embarcados antes da intensificação do conflito.

Para tentar conter os impactos da alta no preço do combustível, o governo federal anunciou uma série de medidas emergenciais.

Em março, uma medida provisória liberou R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização de diesel.

Além disso, decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o combustível.

Segundo o governo federal, a desoneração deve reduzir em cerca de R$ 0,32 o preço por litro nas refinarias. O subsídio complementar a produtores e importadores pode representar queda adicional no mesmo valor.

A equipe econômica informou que a compensação pela perda de arrecadação ocorre por meio do aumento das receitas com royalties do petróleo, impulsionadas pela valorização internacional do barril.

Em abril, outra medida foi lançada para estimular os estados a reduzirem o ICMS sobre o diesel importado.

A previsão é de redução de até R$ 1,20 por litro nas bombas, com custo total estimado em R$ 4 bilhões durante dois meses. Apenas Rondônia ficou fora do acordo.

O governo também anunciou uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro ao diesel produzido no Brasil, com impacto estimado de R$ 3 bilhões por mês.

As empresas beneficiadas pelas medidas precisarão comprovar o repasse integral da redução ao consumidor final.

O avanço da presença russa no abastecimento brasileiro reforça a reorganização do mercado internacional de combustíveis diante das tensões geopolíticas globais.

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